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BPI: BE diz que banca é um assunto sério de mais para ficar na mão de banqueiros

Catarina Martins defende que banca é assunto "sério de mais" para ser deixada na mão de banqueiros, depois de quebra do acordo no BPI

A porta-voz do Bloco de Esquerda afirmou hoje em Coimbra, na sequência da falta de acordo entre os dois maiores acionistas do BPI, que a banca é um assunto “sério de mais” para ser deixada na mão de banqueiros.

“Os banqueiros espanhóis e angolanos não são capazes de se entender e o risco do seu não entendimento pode vir a ser um risco para os contribuintes. Acho que percebemos todos muito bem que a banca é um assunto sério demais para ser deixada na mão de banqueiros privados”, defendeu Catarina Martins, indo contra as declarações do primeiro-ministro que disse confiar na administração do BPI para cumprir as determinações das entidades europeias.

A administração do Banco BPI anunciou hoje que a Santoro Finance, controlada pela empresária angolana Isabel dos Santos, desrespeitou o acordo que tinha estabelecido com o CaixaBank e que foi anunciado ao mercado, pelo que ficou sem efeito.

A porta-voz do BE frisou que o seu partido nunca romperá o compromisso de não condenar pessoas “para salvar os bancos”, da mesma maneira que está tão empenhado “no acordo da maioria parlamentar” hoje como no dia em que o assinou.

A dirigente bloquista recordou ainda os casos do BPN, BES e BANIF, como “escândalos” e “assaltos” que se repetem e que são as pessoas que acabam por pagar.

Num discurso dirigido para os participantes do encontro “Inconformação 2016”, organizado pelos Jovens do Bloco, a porta-voz abordou também as ‘offshores’, dizendo que “os mais ricos dos ricos nunca” são chamados “a pagar nada do que devem” e “quem vive do seu trabalho é sempre chamado a pagar muito mais do que a sua parte”.

“Hoje, as decisões sobre o sistema financeiro são não só determinantes para o que vai acontecer no país daqui a dois anos, daqui a cinco anos, daqui a dez anos, daqui a 15 anos, como não há ninguém neste país que não perceba a sua importância”, frisou.

Segundo Catarina Martins, “ter uma banca que é um constante risco” e “tanta gente que não paga impostos” é um problema e, por isso, o Bloco de Esquerda está a preparar medidas “essenciais para a saúde financeira do país”.

“O Bloco de Esquerda já apresentou várias vezes propostas sobre esta matéria [offshores], algumas tiveram até a aprovação do PS quando a maioria era de direita e não avançaram”, apontou, realçando que é necessário ser-se “coerente e avançar em coisas tão essenciais como conhecer quem é que são os donos de bancos sediados em ‘offshore'”.

Catarina Martins encerrou encontro “Inconformação 2016”, que decorreu na Escola Secundária de Avelar Brotero, entre sexta-feira e hoje.

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