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BPI chega a acordo para entregar maioria do BFA à Unitel

A operação retira a maioria do capital do BFA das mãos do BPI, que passa a deter 48,1% da instituição, com a Unitel a elevar a participação para 51,9%

O BPI chegou a acordo para a venda de 2% do capital do Banco Fomento Angola (BFA) à operadora Unitel, detida por Isabel dos Santos, passando a acionista minoritário deste banco. O acordo inclui ainda a assinatura de um novo acordo parassocial relativo ao BFA.

A operação retira a maioria do capital do BFA das mãos do BPI, que passa a deter 48,1% da instituição, com a Unitel a elevar a participação para 51,9%. O negócio envolve 28 milhões de euros e significará o enterrar definitivo do machado de guerra entre acionistas angolanos e catalães no banco presidido por Fernando Ulrich. Isabel dos Santos detém 18,6% do capital do BPI através da Santoro.

“O Banco BPI, SA informa que a Unitel, SA (Unitel) deu o seu acordo à operação relativa ao Banco de Fomento Angola, SA (BFA) que foi proposta através da carta que divulgou ao mercado no passado dia 20 de setembro”, diz o banco em comunicado agora divulgado.

O BPI propôs a 20 de setembro que a Unitel comprasse 2% do Banco Fomento de Angola por 28 milhões de euros, aceitando passar a ser acionista minoritário deste banco. O BPI fez depender a proposta da desblindagem dos seus próprios estatutos, abrindo caminho ao reforço por parte do CaixaBank.

De acordo com a informação agora avançada, o contrato de compra e venda “prevê que a transmissão para a Unitel da participação de 2% no BFA” fica dependente da verificação de algumas condições “suspensivas”, como a autorização por parte do Banco Nacional de Angola para o reforço da Unitel no BFA mas também às “operações de capitais necessárias para o pagamento ao banco BPI”.

Também a autorização por parte do supervisor bancário angolano à alteração dos estatutos do BFA e a aprovação da venda pela assembleia-geral do BPI são colocadas como condições ao fecho do negócio.

Além de permitir o fim da guerra entre acionistas do BPI, a venda de 2% do capital do BFA à Unitel vem também responder aos receios do Banco Central Europeu perante o excesso de exposição do BPI ao mercado angolano.

No final do ano passado, o BPI contava no seu balanço com uma exposição de 3,6 mil milhões de euros ao Estado angolano e de 1,3 mil milhões ao Banco Nacional de Angola, exposições superiores aos limites definidos pelo supervisor europeu para economias cujas regras de supervisão diferem das europeias.

Além dos créditos, e ainda em relação ao ano passado, 60% dos lucros do BPI vieram do mercado angolano, país onde o banco detinha igualmente 20% dos seus ativos.

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