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BPI: Isabel dos Santos e Violas contra desblindagem de estatutos

Fotografia: DR
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Proposta foi aprovada em conselho de administração do banco com dois votos contra

Isabel dos Santos e a família Violas estão, de novo, do mesmo lado da barricada no combate pela definição do que será o futuro do BPI. A empresária angolana, a segunda maior acionista do banco presidido por Fernando Ulrich, opôs-se esta quinta-feira à decisão do conselho de administração de agendar uma nova assembleia geral para votar a desblindagem de estatutos do banco.

Segundo o comunicado do próprio BPI à CMVM, a proposta foi aprovada em sede de conselho de administração com dois votos contra e sem abstenções. O outro voto contrário é o da família Violas Ferreira.

Recorde-se que este é o maior acionista português, com mais de 2,6% do capital, e que já no verão se havia oposto à desblindagem de estatutos pretendida pela CaixaBank, o maior acionista do BPI, com 44% do capital, mas que está limitado, em termos de votos, a 20%. O que permite que a Santoro de Isabel dos Santos exerça o poder de veto que a limitação de votos lhe concede.

No comunicado à CMVM, a administração presidida por Fernando Ulrich justifica a alteração de estatutos com a necessidade de lidar as “alterações muito relevantes ocorridas no sistema financeiro português ao longo do passado recente” e com uma eventual participação do banco em futuras operações de concentração.

“Esta proposta assenta no entendimento de que o Banco tem de dispor de todos os instrumentos possíveis para lidar com esses desafios e para, assim, melhor poder defender os interesses da instituição, dos seus acionistas, depositantes, colaboradores e outros stakeholders”, justifica o BPI.

No entender do banco, um dos instrumentos que deve estar à disposição para lidar com os desafios é precisamente “o acompanhamento e envolvimento de atuais e futuros acionistas na atividade do Banco, seja no que respeita ao apoio ao financiamento da sua atividade e da respetiva expansão, seja no que respeita ao suporte da participação do Banco em eventuais operações de concentração”.

Fernando Ulrich, CEO do BPI, confirmou na recente apresentação de resultados da instituição que está interessado em analisar a aquisição do Novo Banco.

Assim, e tendo em conta o panorama do setor financeiro português, é “recomendável” avançar para “a eliminação da limitação à contagem de votos atualmente consagrada nos estatutos” do BPI.

Os estatutos atuais do BPI definem no seu artigo 12º “uma limitação à contagem de votos emitidos por um mesmo acionista que excedam 20% da totalidade dos votos correspondentes ao capital social”, sendo este o limite com que a administração procura agora acabar.

Recorde-se que em 2015 o CaixaBank mostrou interesse em lançar uma OPA e adquirir a totalidade do capital do BPI, mas condicionou tal operação à desblindagem de estatutos, chumbada pelos acionistas.

No fim de janeiro, na apresentação de contas do banco, o presidente Isidro Fainé deixou claro não haver intenção de continuar a investir no BPI sem uma alteração dos estatutos.

“Como ainda há limitação dos votos, ou fazes alianças ou se muda isto. Não podes ir continuando a meter capital e ficar com a mesma percentagem de votos. Isso não faz sentido. Como gosto do BPI e quero o melhor para o banco, temos de ou fazer uma aliança ou acabar com essa limitação de direitos de voto para que possamos continuar a por mais capital”, afirmou então, citado pelo agência Lusa.

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