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BPI. OPA do Caixabank pode não resolver problema de Angola

Assembleia-geral voltou a ser suspensa e será retomada a 21 de setembro para esperar pela decisão do tribunal e manter prazos da OPA.

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) do Caixabank, que tem 45% do BPI, sobre o capital do banco que ainda não detém, pode não resolver o problema de exposição excessiva a Angola. Para cumprir as regras do Banco Central Europeu (BCE), o banco português tem de reduzir o peso de Angola, onde é acionista maioritário do BFA.

A tomada de controlo pelo Caixabank pode ajudar a resolver o problema, mas a última decisão será sempre do BCE, que deu aos catalães quatro meses, a partir da conclusão da oferta, para resolver o problema angolano. O banco central partiu do pressuposto de que a OPA estaria concluída até ao final de outubro, mas os adiamentos da desblindagem dos estatutos do BPI – condição essencial para que a OPA avance – começam a pressionar o calendário.

O Caixabank voltou ontem a pedir a suspensão da reunião magna, que será retomada a 21 de setembro, esperando que “este novo adiamento de 15 dias permita dar mais tempo para que possa surgir uma decisão judicial sobre a providência cautelar” apresentada pela família Violas Ferreira (que tem 2,6% do banco), disse ao Dinheiro Vivo fonte oficial do banco.

A família Violas está contra a desblindagem dos estatutos e a OPA e já veio defender que o problema angolano pode ser resolvido através de uma fusão entre o BFA e o banco da Caixa Geral de Depósitos (CGD) naquela geografia.

Contudo, tal cenário também não muda a exposição por si só. Seria necessário avançar com alterações ao perímetro do banco que resultasse da fusão. No caso da OPA, a situação é semelhante mas se o Caixabank tiver de fazer ajustes a decisão será mais célere, sendo tomada só por um acionista.

A suspensão durante 15 dias também permite que o Caixabank cumpra “os prazos previstos na oferta, segundo o compromisso com o BCE”, acrescentou a mesma fonte. Contudo, apesar do cumprimento dos prazos, a Administração do BPI já revelou que o impasse não é do agrado do banco central. “Não é uma matéria do agrado dos supervisores este assunto não estar resolvido”, afirmou Artur Santos Silva, chairman do banco, garantindo que o BCE “está a par de tudo”.

A proposta de suspensão e a marcação da referida data será indicativa do interesse do CaixaBank em manter a OPA, ao contrário dos rumores que circularam na imprensa espanhola sobre uma eventual desistência caso o assunto não ficasse decidido na reunião magna. “Não li nenhum comunicado do CaixaBank sobre a perda de interesse”, disse Santos Silva, considerando que os rumores ficaram a dever-se à “intranquilidade por este assunto, que é fundamental para o futuro do banco, não estar resolvido”.

O Caixabank sempre disse que, se os estatutos não fossem desblindados, retirava a OPA, como aconteceu na primeira tentativa de compra do BPI, no ano passado. Os rumores, contudo, causaram nervosismo no mercado, levando a cotação do banco a fechar no vermelho na sessão de ontem – as ações estiveram suspensas durante a manhã e quando a renegociação foi retomada os títulos seguiram a perder até ao fecho da sessão, valendo 1,07 euros, abaixo dos 1,113 euros oferecidos pelo Caixabank.

A próxima assembleia-geral tentará, pela terceira vez, acabar com o fim dos direitos de voto no BPI, atualmente limitados a 20%. E, enquanto o Caixabank mantém boas relações institucionais com o governo português, a tensão com o acionista Violas tem-se intensificado. A proposta da Administração para a desblindagem dos estatutos não pode ser votada devido à providência cautelar que aguarda resposta do tribunal. E outra providência a impugnar a eleição da mesa da assembleia-geral levou a que fosse o presidente do conselho fiscal do BPI a conduzir os trabalhos.

A suspensão pedida pelo Caixabank quis também bloquear a votação do segundo ponto da ordem de trabalhos da AG: a proposta de desblindagem de estatutos feita por Violas Ferreira que, por ser colocada por um acionista, exige aprovação por 75% dos votos expressos e os acionistas votam ainda com os estatutos blindados – na proposta da administração a votação é feita com todo o capital. A expectativa é que o juiz dê o seu parecer sobre as duas providências a tempo da votação decorrer na próxima assembleia-geral.

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