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BPI quer cobrar comissões sobre depósitos a empresas públicas

Pablo Forero, CEO do BPI
(Filipe Amorim / Global Imagens)
Pablo Forero, CEO do BPI (Filipe Amorim / Global Imagens)

Os bancos portugueses têm-se queixado de que os depósitos de grandes clientes institucionais os penalizam.

O BPI disse esta segunda-feira que vai aumentar a comissão que cobra aos depósitos de clientes financeiros e que aguarda resposta do Banco de Portugal ao pedido de autorização para cobrar comissões a grandes empresas multinacionais e empresas públicas.

Estes anúncios foram hoje feitos pelo presidente executivo do banco, Pablo Forero, na apresentação dos resultados do BPI dos primeiros nove meses do ano, período em que teve lucros de 253,6 milhões de euros, menos 52% face aos 529,1 milhões de euros alcançados no mesmo período de 2018.

Nos documentos com a divulgação das contas, o BPI refere que os depósitos de investidores institucionais (fundo de investimento) e financeiros diminuíram 63% para 350 milhões de euros em setembro, face aos 945 milhões de euros de final de 2018, o que justificou com uma “política ativa do BPI de redução destes depósitos com o objetivo de otimizar os rácios de liquidez”.

Questionado hoje sobre este tema, em conferência de imprensa, em Lisboa, Forero explicou que tem que ver com a cobrança desde junho pelo BPI de uma comissão de 0,3% sobre depósitos de clientes financeiros, depois de ter obtido autorização do Banco de Portugal, e anunciou que essa comissão vai aumentar para 0,5% no final do ano com o objetivo de reduzir ainda mais esses depósitos.

“Os depósitos de instituições financeiras [outros bancos, seguradoras, fundos de investimento] estão a custar-nos dinheiro e a penalizar a conta de resultados, as instituições financeiras têm acesso a bilhetes do tesouro, reporte”, disse o gestor espanhol, que justificou a opção dessas entidades por depositar em bancos porque ainda lhes é mais vantajoso do que investir esse dinheiro noutros instrumentos.

Forero afirmou ainda que o banco detido pelo grupo espanhol CaixaBank pediu também autorização para cobrar comissões sobre os depósitos de outros grandes clientes institucionais, um objetivo que outros bancos portugueses também já manifestaram, mas que ainda não obteve resposta do Banco de Portugal.

“Gostaríamos que fosse possível cobrar comissões a grandes empresas multinacionais e institucionais, empresas públicas”, disse Forero, sublinhando, contudo, que “não é intenção” do banco cobrar juros por depósitos nem a particulares nem a pequenas e médias empresas (PME).

Na semana passada, na apresentação de resultados do Santander Totta, o presidente do banco, Pedro Castro e Almeida, também falou na possibilidade de serem cobradas comissões a grandes clientes institucionais e grandes empresas.

“Se os bancos portugueses ficarem inundados de liquidez de multinacionais e de grandes empresas, acho que nessa altura se vai ter de fazer alguma coisa, porque os bancos vão ter de pegar nesse dinheiro e colocar no Banco Central Europeu a menos de 0,5%”, o que afetará a rentabilidade das instituições financeiras portuguesas, afirmou o presidente do banco detido pelo grupo espanhol Santander.

Em outubro, numa conferência em Lisboa, o tema da cobrança de juros nos depósitos de grandes clientes foi lançada pelo presidente do BCP, Miguel Maya, e apoiada pelos presidentes da CGD e do Novo Banco, Paulo Macedo e António Ramalho, respetivamente.

Os bancos portugueses têm-se queixado de que os depósitos de grandes clientes institucionais os penalizam, uma vez que os bancos não podem cobrar juros negativos, ao contrário de outros países europeus, e ainda têm de aplicar esse excesso de liquidez no Banco Central Europeu (BCE), que lhes cobra juros para isso.

Além disso, referem, há grandes empresas a mudarem os depósitos para bancos portugueses, já que nos seus países de origem têm de pagar para os ter nos bancos.

Em setembro, o Banco Central Europeu (BCE) desceu a taxa dos depósitos bancários de -0,40% para -0,50%, aumentando o valor que os bancos pagam para aí aplicar o seu excesso de liquidez (dinheiro que não emprestam), mas introduziu um sistema de dois escalões que possibilita que uma parte do excesso de liquidez do setor não pague este custo, o que deverá poupar milhões de euros aos bancos portugueses.

A taxa de juro média dos novos depósitos constituídos em agosto fixou-se em 0,10%, um novo mínimo histórico, segundo dados do Banco de Portugal. No mesmo mês, a taxa de juro média dos depósitos da zona euro ficou, pela primeira vez, em valores negativos.

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