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BPI. Seis pontos para perceber a história

Fotografia: Tony Dias/Global Imagens
Fotografia: Tony Dias/Global Imagens

Ora há acordo, ora não há acordo. Perceba em seis passos o que se passa entre BPI, CaixaBank e Santoro e como chegámos até aqui

O casamento entre La Caixa e Santoro

A holding BPI nasceu em 1995, com o grupo Itaú a puxar o La Caixa e a Allianz para o capital do banco. Em 1998 avançaria a fusão dos bancos Fonsecas & Burnay, Borges & Irmão e Fomento e Exterior sobre a marca BPI. Já em 2012, os brasileiros do Itaú vendem a posição de 18,8% no BPI ao La Caixa, com os espanhóis a cederem posteriormente 9,4%da participação à Santoro, ficando ambos com as participações que hoje detêm:44,1% e 18,6% respetivamente.

La Caixa pode vir a vender activos

BPI lança o Banco Fomento Angola

Foi em 2002 que o banco BPI decidiu transformar uma sucursal em Luanda num banco de direito angolano, o Banco Fomento Angola. Passados seis anos, em 2008, o BPI vende 49,9%da operação deste banco à Unitel, operadora de telecomunicações angolana, empresa igualmente controlada por Isabel dos Santos. Aaposta do BPI em Angola foi um sucesso tendo sido responsável por 61% dos lucros obtidos pelo banco em 2015. Mas este sucesso virou agora maldição à conta das novas regras do BCEpara o cálculo do risco destas operações.

Excesso de exposição a Angola?

No seguimento do regulamento da UE 575/2013, sobre requisitos prudenciais para a banca, a CEdivulgou uma lista de 17 países com regras de supervisão “equivalentes às da UE”, lista onde Angola não consta. Por esta razão, a 1 de janeiro de 2015 a exposição do BPI a Angola deixou de ter uma ponderação de 0% a 20% para efeitos de rácio de capital e passou a ser objeto de ponderação a 100%, passando a exceder o limite dos grandes riscos em 3 mil milhões de euros. Na altura o BPI propôs ao BCE alterar o modelo de consolidação do BFA, sem sucesso.

Angola pediu ajuda ao FMI Foto: Mike Hutchings / Reuters

Foto: Mike Hutchings / Reuters

CaixaBank lança OPA sobre o BPI

Foi há pouco mais de um ano, em fevereiro de 2015, que o CaixaBank lançou uma oferta pública de aquisição pelo capital do BPI que ainda não detém mas sem sucesso. A oferta apresentada na altura pelo grupo catalão foi de 1,329 euros por ação. Isabel dos Santos “contra-ataca” e propõe que em vez da OPA dos espanhóis, se negoceie antes uma fusão entre o BPIe o BCP. AOPA do CaixaBank exigia a desblindagem dos estatutos do BPI – para quê ter 100%se só pode votar com 20%? – e a oferta caiu por terra.

 

(Fotografia: Sergio Perez/Reuters)

(Fotografia: Sergio Perez/Reuters)

A cisão dos ativos ou a venda do BFA

Sem a OPA, administração do BPI propõe a cisão dos ativos africanos para uma holding fora do seu balanço e detida em idêntica medida pelos seus acionistas, solução que permitiria reduzir exposição a Angola. Esta proposta foi levada a assembleia-geral mas, dado o limite de votos previstos nos estatutos, CaixaBank só pode votar com 20%, o mesmo que Isabel dos Santos. Aproposta é chumbada pelos acionistas. Ao mesmo tempo, Isabel dos Santos propõe ficar ela a acionista maioritária do BFA, comprando 10% do banco angolano ao BPI. Aproposta é recusada.

O acordo iminente que nunca chegou

Dado o impasse em que o banco caiu para resolver a exposição a Angola, já que cada acionista tem a sua própria solução, CaixaBank e Santoro decidiram negociar a saída desta última do BPI. As negociações são oficializadas a 2 de março, tendo inclusive direito à intervenção do primeiro-ministro, do seu colaborador próximo Lacerda Machado e até do próprio Presidente da República. Apesar de todo este aparato político, a 24 de março o CaixaBank anuncia que não chegou a acordo com a Santoro. Ainda assim, as partes voltam a reunir-se pouco depois, com o BPIa conseguir finalmente anunciar um acordo a 10 de abril, ainda que sem divulgar os seus contornos. Uma semana depois, ou seja ontem, cabe ao próprio BPI revelar que o acordo caiu por terra.

Fotografia: Paulo Duarte / Global Imagens

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