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BPI será mais rentável para o CaixaBank do que o previsto

Fotografia: Sergio Perez/Reuters
Fotografia: Sergio Perez/Reuters

As sinergias de 120 milhões de euros mantêm-se, mas os custos de reestruturação serão inferiores. Posição no BFA é para ser repensada “com calma”

O investimento efetuado pelo CaixaBank no Banco BPI vai render mais do que o previsto. O banco espanhol passou a deter 84,5% do BPI depois de uma oferta pública de aquisição lançada sobre o banco, do qual já era o maior acionista. O investimento, concretizado em fevereiro deste ano, vai render sinergias de 120 milhões de euros até setembro de 2019, das quais 103 milhões de euros já foram executadas. Mas os custos de reestruturação ficarão “significativamente abaixo” dos 250 milhões de euros inicialmente previstos, anunciou ontem o BPI, na apresentação das contas do terceiro trimestre. “Pablo Forero, presidente executivo do BPI, confirmou: “O Banco BPI será mais rentável.”

O BPI tem estado a levar a cabo um plano de redução de efetivos que abrange cerca de 900 trabalhadores do banco, dos quais cerca de 300 saíram em 2016. Dos restantes previstos para saírem até 2018, os acordos de rescisão já estão assinados mas ainda falta executar a saída de 250 funcionários, disse José Amaral, administrador do BPI, na conferência de apresentação das contas trimestrais do banco. E garante que não será anunciado mais nenhum programa de rescisões no banco.

Redução de posição no BFA em marcha

Depois de ter vendido 2% da sua posição no angolano BFA, por imposição do Banco Central Europeu (BCE), o BPI está a preparar uma redução adicional da sua exposição a Angola. “Em Angola temos 48% no BFA, temos dois administradores lá que não são executivos e, portanto, o que temos é um investimento financeiro”, afirmou Pablo Forero. “Temos uma recomendação do Banco Central Europeu para reduzir ainda mais essa participação. Estamos a falar com o BFA e a trabalhar para ver qual é a melhor maneira de fazer isso”, adiantou. Mas a redução adicional da posição no BFA é para ser pensada “com calma”, garantiu.

Até porque o banco angolano ainda representa cerca de metade do lucro líquido recorrente do BPI. Nos primeiros nove meses de 2017, o contributo do lucro do BFA para o lucro consolidado do BPI foi de 154 milhões de euros. Assim, o BPI está a preparar-se para “não depender dos resultados de Angola”, disse Forero.

O lucro recorrente do banco subiu 71%, em termos homólogos, para 312 milhões de euros entre janeiro e setembro deste ano. O lucro líquido, incluindo a desconsolidação do BFA e os custos de reestruturação, caiu para 23 milhões de euros de 183 milhões de euros, nos primeiros nove meses de 2017. Analistas previam que o BPI registasse prejuízos. “Significa que o banco foi capaz de absorver as perdas de 212 milhões de ajuste contabilístico de venda de 2% e desconsolidação do BFA e dos 77 milhões de euros de custos com o plano de saídas voluntárias”, explicou.

Quanto ao eventual impacto negativo no BPI da instabilidade vivida na Catalunha, que levou à transferência da sede do CaixaBank para Valência, Pablo Forero assegurou que é “nenhuma”. “O BPI é autónomo e a sua liquidez é autónoma”, garantiu.

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