Bruxelas: Barroso evita reacção a Constâncio sobre BPN

Durão barroso
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Durão Barroso evitou hoje comentar as declarações de Vitor Constâncio, que esta semana contrariou o actual presidente da Comissão Europeia, negando alguma vez ter recebido “qualquer informação” sobre possíveis “irregularidades concretas” no BPN.

Barroso tinha afirmado em entrevista à SIC e ao Expresso que “quando era primeiro-ministro” chamou “três vezes Vítor Constâncio a São Bento para saber se aquilo que se dizia do BPN era verdade”. Constâncio diz não se recordar de “qualquer convocação” a este respeito.

Leia também: Constâncio não se recorda de “conversas concretas” sobre BPN com Barroso

Ao inicio da tarde, em Bruxelas, questionado pelos jornalistas a propósito das declarações de Vitor Constâncio, Durão Barroso manteve o passo apressado e não respondeu à pergunta.

Na terça-feira, o ex-governador do Banco de Portugal chamou a imprensa portuguesa, em Atenas, no final da reunião do Ecofin para fazer uma declaração na sequência das afirmações do presidente da Comissão Europeia em entrevista à SIC e ao Expresso.

“Depois de tantos anos, não recordo qualquer convocação exclusivamente sobre o BPN. Recordo apenas uma conversa geral em que se falou de preocupações com o BPN, mas nada de concreto”, afirmou o actual vice-presidente do Banco Central Europeu, para quem “o ponto mais importante” sobre esta questão é “nunca” ter recebido “qualquer informação sobre possíveis irregularidades concretas no BPN”.

Constâncio garantiu que “só em 2008, quando as irregularidades se tinham acumulado” recebeu informação, por “carta anónima” que permitiu “iniciar uma investigação”.

“Apenas em 2008, quando as irregularidades se tinham acumulado, uma carta anónima revelando conhecimento interno do BPN, permitiu iniciar investigação que conduziu pouco depois à confissão pela então recente gestão de que existiam duas contabilidades, sendo uma secreta para esconder irregularidades e perdas”, afirma num dos pontos do comunicado que leu em Atenas.

O antigo responsável pela supervisão garantiu ainda que “nada sobre o BPN foi, porém, ignorado”.

“Fomos sempre muito activos em investigar qualquer preocupação com o BPN, que foi o banco do sistema mais vezes inspeccionado pelos serviços do Banco de Portugal, conduzindo a aumentos de capital acima do mínimo regulamentar, mais provisões e também a impedir a abertura do capital em Bolsa”, afirmou.

Mas as recentes afirmações de Durão Barroso vieram levantar dúvidas sobre a actuação do Banco de Portugal, perante um caso com o qual, o então primeiro-ministro terá confrontado o governador do banco central português da altura.

Após as declarações de Durão Barroso, o deputado social-democrata, Duarte Marques enviou um questionário ao Banco de Portugal, considerando que tais “factos nunca foram mencionados publicamente, muito menos esclarecidos” no parlamento, acrescentanto que “esta informação trazida agora a público por Durão Barroso constitui um dado novo que deve ser esclarecido”.

Por sua vez, o eurodeputado Nuno Melo dirigiu um pedido de esclarecimentos ao “BCE e a Vitor Constâncio”, no sentido de ver confirmadas ou desmentidas as afirmações de Barroso.

Constâncio diz já ter “longamente explicado” estes detalhes em duas audições parlamentares. Dá o assunto por encerrado, garante que não se recorda de qualquer “convocação” de Durão Barroso e diz nada mais ter a explicar sobre o caso, “porque não há caso”.

“Em suma, sobre a substância do caso não existe agora nada de novo”, escreve no comunicado que leu, na terça-feira, em Atenas.

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