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Caixa foi o banco que mais cortou crédito e balcões desde 2016

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos.
Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens
Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Paulo Macedo assumiu a liderança da CGD há dois anos. Nesse período o banco público regressou aos lucros mas emagreceu em balcões e crédito.

Uma Caixa e não uma Caixinha. Tem sido um dos objetivos enunciados por Paulo Macedo para o banco público. Dois anos depois de ter assumido a liderança do banco público e de ter assumido o plano de reestruturação acordado com Bruxelas, a Caixa de Paulo Macedo engordou nos resultados. Mas emagreceu no crédito, balcões e funcionários. Esta quinta-feira, o presidente executivo do banco público vai ao Parlamento falar do plano de reestruturação e da auditoria aos atos de gestão.

Desde final de 2016 até dezembro de 2018, o banco liderado por Paulo Macedo foi o que mais cortou no stock de crédito. Na atividade em Portugal, esse valor caiu mais de 6,8 mil milhões de euros, totalizando 44,6 mil milhões. Foi uma quebra de 13%. No total dos bancos analisados pelo Dinheiro Vivo, essa descida foi de 2,7%. Ainda assim, a Caixa mantém a liderança neste segmento, apesar de o Santander Totta se aproximar cada vez mais na sequência das integrações do Banif e do Banco Popular.

Paulo Macedo tem defendido que em circunstâncias normais a Caixa permanecerá como líder de mercado. Mas tem também ressalvado que isso dependerá do que os “outros bancos vão fazer”, uma forma de precaver o risco da CGD deixar de ser líder de mercado aquando da conclusão do plano estratégico, em 2020.

CGD deixou de ter a maior rede de balcões

Um dos pontos mais contestados no plano de reestruturação da CGD tem sido o fecho de balcões. E desde que Paulo Macedo assumiu a liderança, a Caixa tem sido o banco a encerrar mais agências.

A rede da CGD Portugal encolheu em 195 agências para um total de 522. Se no final de 2016 o banco era líder com 717 agências (651 contando apenas com agências de atendimento presencial para particulares, critério que começou a ser seguido pela atual gestão de Paulo Macedo), em 2018 o banco público deixou de ter a maior rede. Contabilizando apenas este último tipo de balcões a redução foi de 129. Até 2020 o plano estratégico prevê que a CGD tenha entre 470 e 490 agências.

Mesmo sem cumprir ainda com essa meta, a CGD já foi ultrapassada pelas caixas do sistema do Crédito Agrícola que passaram a ser a maior rede com 679 balcões. O BCP também tem mais agências que a CGD e o Santander Totta está praticamente empatado com o banco público. O BPI e o Novo Banco também tiveram emagrecimentos significativos na rede de balcões, com cortes superiores a 100 agências desde final de 2016.

Também o número de funcionário tem encolhido. Na CGD Portugal a diminuição foi de mais de 10% para 7244. Eliminaram-se 870 postos de trabalho com os planos de rescisões e de reformas antecipadas. Na atividade doméstica o corte de trabalhadores foi de 13% para 7675, uma redução de quase 1200 funcionários. Foi a instituição que mais cortou no número de empregados. O plano previa a saída de 2000 trabalhadores até 2020.

Apesar de ser o banco que mais corta em balcões e pessoal desde que Paulo Macedo assumiu a liderança, o presidente da instituição tem defendido que num horizonte temporal mais alargado, desde 2010, a CGD tem reduzido menos a sua presença física que os concorrentes. E tem defendido que ser líder de mercado não passa por ter o maior número de balcões ou de funcionários.

Fim de provisões para reestruturação justifica lucro

A administração liderada por Paulo Macedo tem defendido que está a cumprir e a ir além das metas de rentabilidade, de eficiência, de redução do malparado e de reforço de capital enunciadas no plano estratégico feito com base no acordo com Bruxelas para a recapitalização.

A CGD teve de se comprometer com esses objetivos para poder receber dinheiro dos contribuintes sem que isso violasse as regras europeias das ajudas de Estado. O Tesouro injetou 3,9 mil milhões de euros no banco público, que teve de emitir ainda mais 930 milhões em dívida subordinada, que conta como capital e que tem risco e juros elevados.

Em 2017, a CGD interrompeu a série de seis anos consecutivos de prejuízo, obtendo um resultado positivo de 52 milhões de euros. Em 2018 quase que multiplicou por dez esse valor, com um lucro de 496 milhões de euros, o que lhe poderá permitir pagar um dividendo ao Estado que o governo conta que ronde os 200 milhões de euros.

No entanto, a melhoria do resultado da CGD deveu-se esmagadoramente à redução ou libertação de provisões para a saída de trabalhadores e para cobrir perdas na venda de negócios no estrangeiro. Em 2017, o banco tinha colocado 610 milhões de euros para tapar eventuais custos. Este ano além de não ter reservado mais dinheiro para esse fim, libertou cerca de 48 milhões de euros dessa provisão que tinha sido feita.

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