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CaixaBank assegura manutenção de rácios do BPI e explica redução de dívida

CaixaBank . Fotografia:  REUTERS/Albert Gea
CaixaBank . Fotografia: REUTERS/Albert Gea

CaixaBank levantou 1,3 mil milhões para financiar OPA e regras que BPI enfrenta. Integração do BPI faz cair rácios do grupo para pouco acima do mínimo

O grupo CaixaBank assegurou esta tarde, na conferência de imprensa sobre a concretização da OPA ao BPI, que os rácios prudenciais exigidos às duas instituições para este ano estão assegurados, independentemente do esforço que os bancos enfrentam: O CaixaBank para pagar a compra do BPI e o BPI para emitir dívida e subir para os patamares regulatórios que lhe são exigidos.

“O CaixaBank está disponível para subscrever a emissão de dívida no montante que o conselho de administração do BPI considerar como favorável e esta é a melhor alternativa para o BPI”, começou por explicar Gonzalo Gortázar, administrador-delegado do grupo catalão. Em causa a emissão de dívida subordinada que o banco português necessita, que no prospeto da OPA foi avaliada em 350 milhões de euros – para um custo de 8% a 10%, em juros.

Questionado sobre a garantia do CaixaBank de subscrever esta emissão, e de quais os impactos da mesma, Gortazár respondeu que “as condições” de mercado que o BPI enfrentará na emissão “serão as que correspondem às do mercado”, sublinhando no entanto que como agora o banco está integrado numa grupo maior e mais sólido, “irá beneficiar disso mesmo em termos de custos de financiamento”.

De acordo com as informações divulgadas pelo CaixaBank no prospeto relativo à OPA sobre o BPI, a emissão de dívida subordinada prevista iria ter um impacto significativo nos resultados do banco, já que avaliou a posição deste em “stand alone”, ou seja, sem estar integrado num grande grupo, como passou a estar a partir de agora.

No mesmo documento, o montante a emitir era de 350 milhões de euros, visando colocar em banco em linha com os rácios de capital que lhe são exigidos na sequência dos exercícios regulatórios chamados de SREP – de Supervisory Review and Evaluation Process. “Tal terá impacto significativo nos resultados do BPI”, concluía o prospeto.

Agora, contudo, o valor da emissão já foi revisto em baixa – para um mínimo de 225 milhões de euros – e o banco deverá enfrentar custos menores, já que integrado num grupo visto como mais sólido nos mercados.

Porque emitir menos?

Coube a Fernando Ulrich explicar o porquê da revisão em baixa do montante que o BPI precisa de emitir para entrar em cumprimento com o que lhe é exigido em termos de SREP desde que saiu o prospeto da OPA.

“Quando o BPI recebeu a decisão final do BCE sobre SREP, o banco constatou que cumpre o CET1 e o T1 com folza razoável mas ficou abaixo do nível em termos de rácio total que tinha que cumprir a partir de 1 de janeiro”, começou por referir.

“Quando a decisão do BCE foi comunicada, era um facto relevante, e tornámo-lo público: exigiam-nos um rácio de 11,75% e fizemos contas para obter pelo menos 12%, com bases nas estimativas dos resultados para o final do ano. Nesta altura, as contas apontavam para uma necessidade de 285 milhões de euros, logo, e para ter folga, falámos numa emissão de até 350 milhões”, prosseguiu.

Entretanto o banco fechou as contas de 2016 a um nível superior ao esperado e, “graças a dois aspetos que correram melhor que o previsto”, o BPI percebeu que não estava tão longe do SREP exigido como inicialmente pensava, disse Ulrich.

“Primeiro, os resultados no último trimestre foram melhores que pensávamos. Em segundo lugar, a rentabilidade do fundo de pensões foi mais elevada que o pensado e o fundo de pensões tem impacto nos rácios. Estas duas evoluções positivas permitiram que os 285 milhões fossem afinal 206 milhões, daí falarmos hoje em 225 milhões de euros, para ter folga.”

Já em relação aos rácios do CaixaBank, que sofrem com a integração do BPI no grupo catalão, Gortázar explicou que aquando de preparar o financiamento da OPA, o banco espanhol contabilizou logo o impacto da instituição portuguesa, tendo levantado mais capital que o estritamente necessário para financiar a operação.

O grupo catalão, na reta final de 2016, levantou 1,3 mil milhões de euros para financiar a OPA através da venda de 9,9% de ações próprias, tendo agora investido 664,5 milhões de euros na compra de ações na sequência da OPA.

“O que fizemos foi levantar capital antecipadamente, já na hipótese da OPA ter êxito, tendo já o CaixaBank os seus rácios em 12,4%, e antecipando os requisitos futuros da operação. O nosso objetivo é continuar com um rácio acima de 11% e, com a OPA e o nível de aceitação que tivemos, o rácio proforma, no final do ano, ficará nos 11,2%. Logo, não teremos que fazer nada porque já o fizemos”, explicou o responsável máximo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar.

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