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CaixaBank estima redução de 900 trabalhadores e 50 balcões no BPI

Fotografia: Gonçalo Villaverde - Global Imagens
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O rácio de gastos com pessoal por receitas do BPI em 2015 é de 44% enquanto o dos seus pares domésticos se situa num nível de 35%, diz CaixaBank

Apesar de enaltecer os esforços da administração do BPI, o CaixaBank estima que se tomar o controlo do banco, a integração do BPI “num grupo bancário de maior escala” vai permitir “alcançar maiores níveis de eficiência, produtividade e rentabilidade”, prevendo nesse sentido “uma redução de 900 trabalhadores” no BPI.

“Sem prejuízo de nos últimos anos a Sociedade Visada ter feito um esforço muito destacável para melhorar a sua posição competitiva em Portugal, em particular em termos de redução de custos, é de esperar que a sua pertença a um grupo bancário de maior escala, como é o grupo do Oferente, permita alcançar maiores níveis de eficiência, produtividade e rentabilidade no contexto de um sector bancário doméstico mais competitivo e exigente”, começa por apontar o grupo catalão no prospeto da OPA agora registada.

O CaixaBank estima de seguida em 84 milhões de euros anuais “as sinergias de custos” possível de atingir com o sucesso da OPA sobre o BPI, sinergias que devem atingir o seu pico em 2019. Deste total, 45 milhões “derivariam da poupança de custos com pessoal” e outros 39 milhões “da redução de custos gerais”.

É que apesar dos elogios à equipa de Fernando Ulrich, a verdade é que a gestão do BPI não conseguiu trazer o banco para os patamares que o CaixaBank deseja. “O rácio de gastos com pessoal por receitas da Sociedade Visada [BPI] em 2015 é de 44% enquanto o dos seus pares domésticos se situa num nível de 35%”, refere o banco espanhol. É destes rácios que chegam os 45 milhões de euros em sinergias com o pessoal.

“O rácio de gastos com pessoal por receitas da Sociedade Visada em 2015 é de 44% enquanto o dos seus pares domésticos se situa num nível de 35%. O ajuste deste rácio de 44% da Sociedade Visada para os referidos 35% dos seus pares domésticos equivaleria a uma redução de 900 trabalhadores que, ao custo médio por trabalhador do BPI, equivaleria à referida poupança de aproximadamente €45 milhões em gastos com pessoal”, diz o prospeto.

A redução do quadro de pessoal, assegura o grupo catalão, “dará prioridade a reformas antecipadas e lay-offs incentivados” e será realizado “em estrito cumprimento dos parâmetros sociais que têm vindo a ser observados” pelo grupo espanhol “em procedimentos similares”.

Já em relação à rede de agências do BPI, o CaixaBank lembra que o banco português “tem vindo a reduzir a sua rede de balcões” para os 545 atuais. Os encerramentos afetaram “52 balcões em 2015 e 52 adicionais até setembro de 2016”, um ritmo que a “manter-se em 2017” não obrigará a mais cortes do que os realizados anualmente.

Sinergias de receitas

Do lado das receitas, as sinergias estimadas pelo CaixaBank chegam aos 35 milhões de euros antes de impostos, graças à aceleração ” dos planos relativos à rede comercial da Sociedade Visada” e a melhorias a áreas de negócio como “pagamentos/cartões eletrónicos”, “crédito ao consumo” e “gestão de patrimónios”.

“O Oferente ajudaria também a Sociedade Visada a promover uma estratégia multicanal, atualizando funcionalidades relacionadas com banca online e móvel”, além de prever “desenvolver uma cooperação transfronteiriça no que toca a segmentos e áreas específicos, incluindo a banca de investimento, a banca corporativa e a gestão de ativos, assim como a gestão de riscos e as melhores práticas de auditoria”, prometem ainda os catalães.

Tudo somado e em síntese, o CaixaBank diz que considerando o volume de sinergias de custos e receitas acima referidas, “o Oferente espera que o rácio de rendimentos-custos recorrentes da Sociedade Visada evolua dos atuais 74% para à volta de 50% ou inferior em 2019, atingindo um nível similar de eficiência e produtividade ao dos seus comparáveis, tornando, portanto, a Sociedade Visada, numa entidade mais competitiva”.

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