BPI

CaixaBank lança OPA sobre o BPI e oferece 1,113 euros por ação

CaixaBank . Fotografia:  REUTERS/Albert Gea
CaixaBank . Fotografia: REUTERS/Albert Gea

O CaixaBank anuncia oferta pública de aquisição sobre o BPI e oferece 1,113 euros por ação. OPA já foi comunicada ao BCE

O CaixaBank anunciou ao início da manhã o lançamento de uma oferta pública de aquisição pelo capital do BPI, conforme noticiou ontem o Dinheiro Vivo, oferecendo 1,113 euros por ação, valor que reflete “a média ponderada da cotação nos últimos seis meses e pressupõe uma avaliação do BPI de 1 622 milhões de euros”.

Em comunicado, o grupo espanhol aponta que já “solicitou ao BCE a suspensão das possíveis sanções contra o BPI com a finalidade de permitir ao CaixaBank encontrar uma solução para o excesso de concentração de riscos”. Por ora, o BPI solicitou um prazo adicional para cumprir com as exigências do BCE.

A OPA vai ficar condicionada “à eliminação da limitação de 20% nos direitos de voto do BPI, a alcançar mais de 50% do capital do Banco BPI e à obtenção das autorizações regulatórias aplicáveis”, detalha o comunicado. Esta é a segunda OPA lançada pelo grupo catalão sobre o capital do BPI em pouco mais de um ano, depois de em fevereiro de 2015 ter oferecido 1,329 euros por cada ação.

O grupo espanhol lembra na nota enviada às redações que a OPA surge “após não ter sido possível fechar um acordo satisfatório com a Santoro Finance para resolver os problemas de concentração de riscos em Angola por parte do BPI”. O CaixaBank acredita que com a oferta agora anunciada, conseguirá evitar as sanções do BCE, “ao mesmo tempo que ajudará à melhoria da rentabilidade do BPI graças às sinergias que gerará a futura colaboração com o CaixaBank”.

A oferta de 1,113 euros por ação avalia o banco liderado por Fernando Ulrich em 1,622 mil milhões de euros, refletindo a cotação média dos últimos seis meses, defende o grupo espanhol que salienta que “segundo a normativa portuguesa, se considera como preço equitativo”.

“A oferta, que será registada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários portuguesa (CMVM) logo que se recebam as aprovações pertinentes e se torne efetiva a eliminação da limitação de 20% dos direitos de voto, estima-se que se completará durante o terceiro trimestre deste ano.”

Sinergias: 85 milhões

O comunicado do CaixaBank defende que “o modelo de negócio e a mútua cooperação” do grupo serão úteis “à melhoria da rentabilidade do BPI no novo ambiente do mercado português”.

Caso a oferta tenha sucesso, os espanhóis analisarão e contemplarão “potenciais áreas de cooperação entre as duas entidades com o objetivo de desenvolver sinergias, reduzir custos e aumentar as fontes de receitas”, asseguram em comunicado

“Prevê-se que estas novas iniciativas permitam ao BPI obter sinergias que beneficiarão todos os acionistas da entidade e reduzir o rácio de eficiência recorrente do BPI no mercado português. Estima-se sinergias potenciais de custos de 85 milhões a partir do terceiro ano e sinergias de receitas anuais de 35 milhões.”

Além do impacto positivo no BPI, a OPA terá igualmente um impacto positivo de cerca “de 8% no lucro recorrente por ação do CaixaBank no primeiro ano”, avaliam. “O seu impacto na base de capital do CaixaBank estima-se entre 95 e 115 pontos base, assumindo uma percentagem de participação no BPI entre 51% e 70%, respetivamente, após a aceitação da oferta”, detalha o banco espanhol, prometendo manter um rácio superior a 11% depois da transação.

Segunda OPA e nova lei

Com um preço inferior ao da oferta feita no ano passado, a nova OPA do CaixaBank surge com o mesmo objetivo que a antes lançada: “Terminar com a assimetria que existia entre a sua participação económica e a sua capacidade de voto.”

Apesar do preço ser mais reduzido, a oferta surge num novo enquadramento: o governo de António Costa já colocou em andamento as alterações legislativas para acabar com a blindagem de estatutos nas empresas cotadas.

A lei entra em vigor a 1 de julho mas com um período transitório de seis meses, o que significa que no máximo em fevereiro de 2017 os estatutos das empresas – incluindo o BPI ou o BCP – serão desbloqueados automaticamente. Como a blindagem beneficia a Santoro, já que é graças a esta que pode votar com a mesma força que o CaixaBank, à medida que se aproxime a data de entrada em vigor do novo diploma a posição negocial da holding angolana irá perdendo força.

 

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