CGD

Capitalização CGD. Adiamento “resulta de decisão do acionista”

António Domingues e José Matos Correia. Fotografia: JOÃO RELVAS/LUSA
António Domingues e José Matos Correia. Fotografia: JOÃO RELVAS/LUSA

CEO do banco público vai quarta-feira ao Parlamento esclarecer e responder sobre os motivos da sua saída. No mesmo dia, arranca a capitalização

António Domingues despediu-se ontem dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que liderou nos últimos meses. Na mensagem aos colaboradores, o futuro ex-CEO voltou a assumir total responsabilidade pelo plano de capitalização aprovado por Bruxelas mas lembrou: “O calendário final da capitalização resulta de decisão acionista.”

Na carta enviada ao pessoal da CGD e a que o Dinheiro Vivo teve acesso, Domingues sublinha que “o plano de capitalização da CGD e o Plano Estratégico” foi “construído pelas equipas da CGD” e que surgem como “produtos visíveis de um programa de trabalho muito intenso que nos ocupou nos últimos meses, com vista a criar as condições para o crescimento sustentado da Caixa Geral de Depósitos”.

O banqueiro destaca que todos os objetivos e prazos deste projeto foram cumpridos pela sua gestão, apontando então que “o calendário final da capitalização resulta de decisão acionista”.

A carta de Domingues termina com a garantia do próprio que a passagem pelo banco público foi “uma experiência extraordinariamente rica, que não esquecerei”.

Mas apesar de já ter enviado as despedidas, o ex-administrador do BPI permanecerá no cargo até 10 de janeiro, dia em que o ministério das Finanças prevê que Paulo Macedo tome posse com a sua equipa. Desta forma, Domingues ainda será o líder da CGD quando a capitalização arrancar oficialmente, a 4 de janeiro, o mesmo dia em que o gestor marcará nova presença na Assembleia da República para falar e responder aos deputados da comissão de Orçamento e Finanças sobre a sua passagem pela liderança do banco.

O adiamento por alguns dias do ato inicial da recapitalização da CGD foi confirmado pelo governo nos últimos dias. Apesar de a operação ter sido aprovada pelo Banco Central Europeu no dia 10 de dezembro, o Estado optou por arrancar com a mesma apenas na primeira semana de 2017.

O plano de capitalização

Em causa na primeira fase da capitalização está o avanço de uma operação acordeão ao capital da CGD, operação que visa limpar o histórico das perdas que o banco acumulou: primeiro, a CGD vai recorrer às “reservas livres e da reserva legal, no montante de 1,412 mil milhões de euros, para cobertura de igual valor dos prejuízos transitados de exercícios anteriores”, conforme explicou a 10 de dezembro a instituição.

De seguida, a Caixa avança com as operações que farão do seu capital social um acordeão: primeiro, este é aumentado em 1,43 mil milhões para 7,3 mil milhões, com a integração da ParCaixa (490 milhões) e a conversão dos CoCos e juros associados (938 milhões) em capital. Depois, o capital social do banco é reduzido em 6 mil milhões, para 1,3 mil milhões de euros, com a extinção de 1,2 mil milhões de ações de 5 euros cada. Desta redução, e além de uma nova fatia de 1,4 mil milhões para cobrir as perdas passadas remanescentes, serão usados ainda “4,59 mil milhões de euros” para “a constituição de uma reserva livre”.

As mexidas no capital social do banco público terminarão apenas já na segunda fase do plano de capitalização, que já terá Paulo Macedo ao leme, quando o Estado injetar até 2,7 mil milhões em dinheiro na CGD. Só então avançará a primeira colocação de dívida junto de privados, de 500 milhões. Esta segunda fase da recapitalização deve ocorrer em abril de 2017, ou seja, após a aprovação das contas de 2015.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
boris johnson brexit

Brexit: Um acordo que responde “às circunstâncias únicas da Irlanda”

Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia, na comissão de inquérito do Parlamento sobre as rendas excessivas da eletricidade, Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Álvaro Santos Pereira ataca “corporativismo” de notários, advogados e arquitetos

Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia, na comissão de inquérito do Parlamento sobre as rendas excessivas da eletricidade, Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Álvaro Santos Pereira ataca “corporativismo” de notários, advogados e arquitetos

Outros conteúdos GMG
Capitalização CGD. Adiamento “resulta de decisão do acionista”