Seguros

Caravela e Apollo na corrida à compra da Açoreana

Bruxelas aprova aquisição da Açoreana Seguros pela Apollo
Bruxelas aprova aquisição da Açoreana Seguros pela Apollo

Seguradora do Banif, transferida para o Naviget, recebeu seis propostas de compra nacionais e internacionais

A Caravela Seguros e a Apollo estão na corrida final pela compra da Açoreana, apurou o Dinheiro Vivo junto de fonte financeira.

A seguradora do Banif recebeu, no total, seis propostas de interessados nacionais e internacionais, algumas das quais já estavam em cima da mesa antes da venda e resolução do Banif; outras surgiram após a medida aplicada ao banco em dezembro passado.

Mas apenas estas duas passaram à fase final. Nem a Caravela Seguros nem a Apollo quiseram fazer qualquer comentário.

De acordo com a mesma fonte, a Caravela – seguradora liderada por Diamantino Marques, antigo presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP) – é a mais bem posicionada para a compra da Açoreana.

Isto porque a companhia de seguros está em fase de crescimento e deverá assumir os 800 trabalhadores. No caso da Apollo, os norte-americanos já contam com presença em Portugal, depois da compra da Tranquilidade ao Novo Banco, o que significa que o foco estará nas apólices e não na salvaguarda dos postos de trabalho.

A venda da Açoreana está agora nas mãos do Naviget, veículo criado para gerir e recuperar os ativos tóxicos do Banif que não foram transferidos para o Santander Totta, que detém cerca de 48% do capital, e da Soil SGPS, da família Roque, que controla os restantes 52%.

Apesar das imparidades que a seguradora terá de assumir com as perdas arrecadadas com a participação qualificada que tinha no banco liderado por Jorge Tomé, em termos operacionais a atividade da Açoreana é considerada atrativa e apetecível. Daí o forte apetite na compra demonstrado por vários interessados.

“Não colocamos de parte oportunidades de aquisição. Não passamos ao lado do que se passa com os nossos vizinhos”, adiantou o presidente do conselho de administração da Caravela Seguros, Diamantino Marques, em junho passado, quando da apresentação da seguradora. A Caravela Seguros resulta da compra das operações dos franceses da Macif em Portugal, suportada por uma holding, a AAA SGPS, com investidores portugueses “especialistas na distribuição de seguros”.

No caso da Apollo, os norte-americanos compraram a seguradora Tranquilidade ao Novo Banco em agosto de 2014 por 215 milhões de euros, além de terem participado na fase final da corrida pela compra da instituição financeira liderada por Stock da Cunha. Mais recentemente, a Apollo fez parte dos seis interessados que fizeram propostas de compra pelo Banif.

A venda da Açoreana era um dos objetivos e das metas da administração liderada por Jorge Tomé, no âmbito da venda de ativos não estratégicos, juntamente com a operação em Malta e com a redução da exposição ao imobiliário. No entanto, o processo de venda da seguradora acabou por ser interrompido com a venda e resolução do Banif, aplicada pelo Banco de Portugal.

O Banco de Portugal – recorde-se – decidiu a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Santander Totta por 150 milhões de euros. Os ativos “tóxicos” foram transferidos para um veículo de gestão de ativos, o Naviget, entre os quais consta a Açoreana, além do banco de investimento do Banif, participações, fundos de investimento e cerca de 500 trabalhadores do banco. Também foi transferido um vasto conjunto de sociedades, como o Banif Imobiliária, o Fundo de Recuperação de Turismo, o Fundo de Reestruturação Empresarial.

Ao relançar e concretizar a venda da seguradora do Banif, o Naviget pretende recuperar parte dos mais de 2,2 mil milhões de euros que o Estado teve de injetar no Banif antes da venda dos ativos “saudáveis” ao Santander Totta. A venda e resolução foi aplicada ao Banif com o Banco de Portugal a considerar que não foi “possível concretizar a venda de ativos a passivos do Banif no âmbito do processo de alienação voluntária”, porque “todas as propostas apresentadas pelos potenciais compradores implicavam auxílio de Estado adicional, o que determinou que a alienação fosse feita no contexto de resolução”.

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