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Carlos Costa: Bancos devem aproveitar vantagem que têm sobre fintechs

(Ângelo Lucasl / Global Imagens )
(Ângelo Lucasl / Global Imagens )

O governador defendeu que "as autoridades competentes não devem interromper a dinâmica em curso" mas definir regulação igual para todos os players.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, alertou esta terça-feira que o setor da banca tradicional tem uma vantagem sobre os seus novos concorrentes tecnológicos mas “não pode ficar sentado em cima dessa vantagem” à espera que a vaga da digitalização financeira passe, porque “não vai passar”.

Lembrou que o setor beneficia de um nível de confiança por parte dos clientes e das grandes bases de dados de que dispõem. A segmentação da oferta de produtos por parte dos bancos irá ser uma realidade, “muitos dos quais através de robo-advice sem intervenção humana”.

 

Para o governador, tanto os acionistas como a administração dos bancos são responsáveis pela definição do novo caminho que os bancos devem seguir, aproveitando a revolução digital que está a assaltar o setor da banca de retalho.

Adiantou, num discurso esta manhã na conferência do Jornal de Negócios sobre ‘Banca do Futuro’, que “as autoridades competentes não devem interromper a dinâmica em curso” mas definir regulação igual para os players nas mesmas áreas – sejam bancos ou entidades não bancárias.

Salientou que deve haver “neutralidade da regulação em relação à tecnologia” e “a aplicação do princípio ‘a mesma atividade, o mesmo risco, as mesmas regras, a mesma regulação”.

Defendeu ainda “o tratamento justo e equilibrado entre incumbentes e novos participantes, bem como entre jurisdições, sujeitando os novos participantes à regulação e supervisão bancária se estes desempenharem funções bancárias, distinguindo claramente o modelo de supervisão entre atividade de recolha e canalização de poupança com garantia de depósitos de atividades de canalização da poupança sem garantia de liquidez e resgate”.

Carlos Costa alertou ainda que “a extensão da cobertura geográfica promovida pela digitalização e a interação entre os diferentes players coloca desafios à salvaguarda da estabilidade financeira, incluindo à política macroprudencial, que importa acautelar”. “Riscos de too big to fail (grande demais para falir) também precisarão de ser monitorizados”, frisou.

Atualizada às 12H49 com mais informação

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