CGD

Carlos Costa diz que pediu escusa de decisões sobre CGD a 6 de novembro

O governador do Banco de Portugal tinha indicado na passada sexta-feira que não ira tomar decisões decorrentes da auditoria da EY à CGD.

O Banco de Portugal informou na passada sexta-feira que o governador tinha pedido escusa das decisões do supervisor decorrentes das conclusões da auditoria especial da EY aos atos de gestão na Caixa Geral de Depósitos entre 2000 e 2015. Apesar de esse pedido apenas ter sido tornado público no final da semana passada, o governador esclarece agora que essa decisão tinha sido já tomada em novembro do ano passado.

“Em complemento do comunicado publicado em 8 de fevereiro 2019, o Governador esclarece que o pedido de escusa relativamente à participação em deliberações do Banco de Portugal sobre situações abrangidas pela auditoria da EY à CGD foi apresentado na ocasião da primeira deliberação tomada neste âmbito, em 6 de novembro de 2018, e nessa data aceite pelo Conselho de Administração”, refere um esclarecimento de Carlos Costa colocado no site do Banco de Portugal.

Esse esclarecimento surgiu apenas depois da revista Sábado ter citado atas de algumas reuniões do conselho alargado de crédito em que foram aprovados alguns dos créditos mais ruinosos da Caixa Geral de Depósitos e após o Jornal Económico ter noticiado que o governador iria escapar a uma reavaliação da idoneidade. Carlos Costa esteve presente naquelas reuniões e, segundo a Sábado, não se opôs à concessão desses financiamentos concedidos a Joe Berardo, Manuel Fino e ao empreendimento de Vale do Lobo.

O atual governador do Banco de Portugal foi administrador da Caixa Geral de Depósitos entre abril de 2004 e setembro de 2006. Em questões anteriores colocadas ao supervisor sobre as medidas que iria tomar após as conclusões da auditoria especial da EY, o Banco de Portugal tinha referido apenas que “tem em atenção toda a informação relevante para efeitos de supervisão prudencial”.

Antigos administradores que passaram pela CGD no período analisado pela auditoria, como Norberto Rosa e Pedro Cardoso, não obtiveram a luz verde no teste de adequação e idoneidade para assumirem cargos no BCP e no Bison Bank, respetivamente.

A auditoria especial da EY foi pedida pela Caixa Geral de Depósitos, após instrução do governo. O ministro das Finanças, Mário Centeno, revelou que a administração do banco público pediu ao Banco de Portugal que coordenasse esse processo. No entanto, o supervisor rejeitou essa tarefa por considerar que “exorbitaria as suas atribuições e competências”. No entanto, a lei prevê que o supervisor possa solicitar esse tipo de auditorias. Questionado pelo Dinheiro Vivo, o Banco de Portugal não explicou os motivos para essa recusa.

A auditoria da EY foi enviada pela CGD para o Banco de Portugal em junho do ano passado. Um mês depois, Carlos Costa escreveu à gestão do banco público a pedir uma reavaliação da idoneidade de atuais administradores que tenham feito parte das equipas de gestão no período analisada pela EY.

Atualizada as 14:13

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