Carlos Costa: Há acionistas interessados em reforçar no BES

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

Para já, não há nada que o justifique, mas se for necessário o BES pode avançar para um novo aumento de capital. Quem o assume é o governador do Banco de Portugal, que garante que há acionistas que acompanhariam a operação.

“Se algum capital adicional fosse necessário, por força de
riscos que neste momento não estamos a ver, seguramente há
acionistas interessados em participar num aumento de capital do BES”,
afirmou Carlos Costa à TVI. E reforçou: o BES “tem capacidade
para mobilizar capital”.

Entre os novos riscos que o governador refere estará um impacto
maior do que o estimado da reestruturação na Espírito Santo
Internacional (ESI) e no BES Angola. Mas fontes próximas do processo
asseguram que, a ser necessário um novo aumento de capital, seria de
um valor menor do que o realizado em junho (de 1045 milhões de
euros).

A hipótese de abrir o capital do banco a novos investidores já
fora admitida ao Dinheiro Vivo por um analista que não quis ser
identificado. “Numa perspetiva financeira, [a possível saída da
família do BES] poderá permitir gerar mais liquidez, ajudar a
limpar o banco, e tendo em conta o preço, tornar o banco mais
apetecível a um investidor estrangeiro que queira entrar no mercado
português com uma boa posição.”

Apesar de tudo, Carlos Costa voltou a assegurar ontem que o banco
“está capitalizado, tendo uma almofada de capital [de 2 mil
milhões] para fazer face aos riscos com que está confrontado – que
têm a ver com a evolução da área não financeira da família”
-, pelo que “os depositantes podem estar tranquilos”.

É esta confiança dos depositantes e dos mercados que Vítor
Bento quer recuperar, iniciando um novo ciclo na vida da instituição.
No segundo dia na presidência do Banco Espírito Santo, o novo
presidente executivo escreveu aos colaboradores garantindo que a sua
prioridade neste momento “é reconquistar a confiança dos
mercados, redobrar os nossos esforços no sentido de nos aproximar
das nossas equipas, clientes, investidores e reguladores, pondo fim à
especulação e abrindo caminho a um novo capítulo no banco”.

Leia aqui a carta que Vítor Bento enviou aos trabalhadores

Na carta enviada, o presidente do BES admite estar orgulhoso por
lhe ter sido “confiada esta missão”. “O BES é uma instituição
com um passado histórico, é um pilar da nossa economia, das nossas
empresas e dos portugueses em geral – irá continuar a sê-lo”,
assegura.

Sobre o vice-presidente, José Honório, e o administrador
financeiro, João Moreira Rato, realça os seus percursos
profissionais de topo, considerando que ambos são “trunfos para o
BES”. E faz questão de reforçar também que o banco “está
capitalizado, está assente na economia real e é líder na
satisfação ao cliente a nível europeu”, adiantando que a equipa
já se encontra a trabalhar e prometendo manter os colaboradores ao
corrente da atividade e dos progressos de forma regular.

Vítor Bento assume ainda que os próximos tempos serão difíceis
-“ainda temos pela frente obstáculos e desafios” – e apela ao
empenho dos colaboradores para se focarem “no futuro e olhá-lo com
confiança”. “Nunca, como hoje, o BES precisou tanto dos seus
colaboradores – que são o seu principal ativo – para construir um
futuro sólido, de confiança e de excelência”, diz.

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