Carlos Costa reforça que há fundos e bancos interessados no BES

Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal
Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal

A solução de um aumento de capital ganha cada vez mais força. Depois de, no início da semana, Carlos Costa ter indicado que, caso seja necessário, existirão investidores interessados no BES, o governador do Banco de Portugal voltou ontem a reforçar esse cenário.

“É de realçar que as interações preliminares entre o BES e bancos de investimento internacionais, assim como o interesse demonstrado por diversas entidades (fundos de investimento e banco europeus) em assumir uma posição de referência no BES indicam que uma solução privada para reforçar o capital é realizável”, afirmou Carlos Costa na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública.

O governador do Banco de Portugal revelou mesmo aos deputados que a hipótese de uma solução privada no BES é “muito provável”. “Quando se fala de capitalização, há manifestações de interesse que têm credibilidade e que poderão manifestar-se no momento em que as incertezas sejam ultrapassadas”. O Dinheiro Vivo sabe, aliás, que essas manifestações de interesse já foram feitas junto do BES e do Banco de Portugal, sendo os investidores interessados americanos e europeus. O site espanhol El Economista avança que o Santander poderá ser um dos interessados.

A necessidade de recorrer a privados poderá ocorrer na sequência do regulador ter solicitado ao BES “a apresentação de medidas adicionais de recapitalização, nomeadamente medidas que acomodem uma eventual insuficiência resultante do compreensive assessment” [avaliação da qualidade dos ativos] que o Banco Central Europeu tem actualmente em curso”.

Questionado sobre a clarificação da estrutura acionista do BES, Carlos Costa espera que isso aconteça “o mais breve possível”. Atualmente, a Espírito Santo Financial Group (ESFG) detém 20,1% do BES, mas essa posição está colateralizada. Assim como aconteceu com o Nomura, que ficou com os quase 5% de capital do BES, que tinham sido dados como colateral, o processo de restruturação imposto pela crise no grupo Espírito Santo (GES) pode levar ao surgimento de novos acionistas do banco português.

BESA sem impacto negativo

Uma das incertezas que poderá, de alguma forma, estar a travar a demonstração de mais interessados é a situação no BES Angola. No entanto, “o Banco de Portugal não antecipa um impacto negativo relevante na posição de capital do BES resultante da situação financeira da filial BESA”, afirmou Carlos Costa. Há uma garantia do Estado angolano que “cobre uma parte substancial da carteira de crédito”. O Estado angolano tem uma garantia de 70% da carteira de crédito da instituição. O BES terá empréstimos de 3.000 milhões de euros em risco. Ontem, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, citado pela Lusa, admitiu existir um “problema” na carteira de crédito do BESA, perspetivando a necessidade de um reforço de capitais na instituição financeira.

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