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Carlos Santos Silva “vendia projetos e conhecimentos” ao grupo Lena

Joaquim Barroca durante a sua audição perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. RODRIGO ANTUNES/LUSA
Joaquim Barroca durante a sua audição perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Joaquim Barroca, ex-administrador do grupo Lena, recusou falar sobre Vale do Lobo. E nega que tenha discutido com José Sócrates a expansão da empresa.

Carlos Santos Silva, o amigo que emprestou dinheiro a José Sócrates, “vendia projetos e vendia conhecimentos” ao grupo Lena, segundo Joaquim Barroca. O ex-gestor do grupo explicou na comissão parlamentar de inquérito à CGD que conhece Carlos Santos Silva desde 1980 e que desde essa data que este tem uma relação com o grupo Lena. Já sobre o envolvimento do Lena e da Abrantina em Vale do Lobo, recusou responder por ser arguido na Operação Marquês.

Joaquim Barroca disse, em resposta às questões da deputada social-democrata Inês Domingos, que Carlos Santos Silva “era uma pessoa que tinha uma empresa de projetos e prestava serviços ao grupo Lena. Se calhar fez os primeiros projetos já mais de 20 anos. Vendia projetos, vendia conhecimentos”.

“Em termos estruturais de projetos, ele é um bom conhecedor”, afirmou. Questionado se Carlos Santos Silva permitiu ao grupo Lena ter tirado partido de relacionamentos que pudessem favorecer a empresa de Joaquim Barroca, o antigo responsável do grupo disse que aquele era apenas “um vendedor de serviços”.

Barroca nega conversas com Sócrates sobre expansão do grupo Lena

Joaquim Barroca rejeitou, em resposta a Inês Domingos, a ideia de que o poder político tivesse apoiado a empresa não só em Portugal como em Venezuela. “Isso é tirar o mérito a pessoas do grupo Lena que trabalharam anos a fio”, respondeu. E elencou números para tentar demonstrar que a sua empresa tinha já dimensão e tinha crescido mais noutros períodos, como nos inícios dos anos 2000. “Já tínhamos mais de mil trabalhadores e faturávamos mais de 200 milhões”, disse.

O responsável do grupo Lena negou que tenha discutido financiamentos da CGD com Armando Vara. Diz que esteve apenas uma vez com o antigo administrador do banco público, num almoço ou jantar com amigos.

Joaquim Barroca também afirmou que não falou desses assuntos com José Sócrates. E em resposta a questões da deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, garantiu que “nunca” discutiu com o antigo primeiro-ministro planos para a expansão do grupo Lena.

As empresas do grupo Lena tinham, no final de 2015, financiamentos de 93 milhões da CGD, sendo que 62 milhões estavam dados como perdidos segundo uma versão preliminar da auditoria da EY.

No ano passado, o grupo Lena mudou o nome para grupo NOV. Justificou essa mudança com a “conjuntura e as condicionantes do mercado, sentidas especialmente em Portugal”. Joaquim Barroca é vice-presidente desse grupo.

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