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Cartões de crédito em máximos da década

Máximo de 0,3% para  cartões de crédito

Há mais portugueses a recorrer a cartões de crédito e a pedir empréstimo para comprar carro.

A recuperação da economia e a confiança dos consumidores levou a que mais portugueses recorressem ao cartão de crédito e aos empréstimos para compra de carro. Em 2018, o número de devedores neste tipo de crédito aumentou em cerca de 120 mil, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal esta terça-feira.

No caso dos cartões de crédito, o aumento de devedores foi de cerca de 43 mil. Existem quase 2,29 milhões de portugueses a utilizar este instrumento. É o número mais alto desde, pelo menos, março de 2009, data do início desta série estatística do Banco de Portugal. O valor em dívida neste tipo de financiamento é de mais de 3,25 mil milhões de euros, um novo máximo.

devedores créditos

Outro tipo de financiamento que tem ganho popularidade junto dos portugueses é o crédito automóvel. O número de devedores neste tipo de empréstimos aumentou em 77 mil no ano passado. Há mais de 840 mil pessoas com contrato ativo de empréstimo para compra de carro. Devem mais de 6,1 mil milhões de euros, o valor mais elevado também desde, pelo menos, 2009.

O Banco de Portugal avisava, no último Relatório de Estabilidade Financeira, que o crédito ao consumo estava a ter um “crescimento acentuado”. O supervisor explicou que a “aceleração estará associada à fase ascendente do ciclo económico, traduzida em redução do desemprego e aumento dos salários, não obstante as taxas de juro deste tipo de crédito serem relativamente elevadas em termos reais”.

No entanto, o Banco de Portugal notava que neste segmento de crédito existe uma “pressão concorrencial” que se tem “traduzido numa trajetória descendente das taxas de juro nominais aplicadas ao crédito ao consumo e em menor restritividade dos critérios de concessão deste tipo de empréstimos”.

Novos créditos

Supervisor e governo fazem alertas

A concessão de novo crédito para o consumo atingiu máximos de quase 15 anos em 2018. As entidades financeiras concederam 4,66 mil milhões de euros neste tipo de crédito, uma média de 12 milhões por dia. A evolução deste tipo de financiamentos tem motivado alguns alertas por parte do supervisor. E o governo tem pedido “vigilância”

O Banco de Portugal incluiu mesmo o crédito ao consumo nas recomendações sobre os limites aos empréstimos que os bancos devem seguir. Essas regras, que incidem também sobre os empréstimos à habitação, entraram em vigor em julho e pretendem impedir que os bancos tomem “riscos excessivos” na concessão de crédito. No caso do consumo, o supervisor tem mostrado preocupação com os prazos cada vez mais longos dos contratos.

“O alongamento do prazo médio contratual introduz maior rigidez no ritmo de redução do nível de dívida, num enquadramento em que o rácio de endividamento dos particulares, em percentagem do rendimento disponível, ainda é muito elevado”, avisou o supervisor liderado por Carlos Costa.

Ainda assim, a recuperação da economia tem permitido uma descida no número de devedores em incumprimento. Tanto no crédito automóvel como nos cartões de crédito esse número desceu para o valor mais baixo desde 2009. Ainda assim, há 137 mil devedores que não conseguiram fazer face aos encargos com o cartão de crédito e 61 mil que não cumpriram no empréstimo automóvel.

No crédito à habitação nota-se também uma queda no número de incumpridores. Pela primeira vez desde 2009, há menos de 100 mil pessoas em incumprimento. O Banco de Portugal explicou essa redução do incumprimento com o “contexto de recuperação da atividade económica em Portugal”.

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