Alemanha

Risco sistémico. Seguro sobre dívida do Deutsche Bank acima do subprime

Banco alemão desvalorizou quase 50% desde o início do ano, chumbou nos testes de 'stress' dos EUA e foi apontado pelo FMI como o maior risco global

O custo de contratar um seguro contra a dívida a cinco anos do Deutsche Bank está acima dos registados em 2008, aquando do colapso financeiro global provocado pela crise do subprime, espoletada pela queda do Lehman Brothers. Se no início deste ano o custo de contratar um seguro rondava os 180 euros, hoje os CDS contra a dívida a cinco anos do banco alemão já estavam perto dos 480 euros.

De acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Deutsche Bank é hoje o maior risco para a estabilidade financeira mundial. “Entre os bancos globais de importância sistémica [G-SIB], o Deutsche Bank aparenta ser o maior contribuinte líquido para riscos sistémicos, logo seguido do HSBC e do Credit Suisse”, lê-se no relatório Financial Sector Assessment Program, atualizado a 30 de junho, onde o FMI recomendou ao governo alemão para verificar se todas as ferramentas para lidar com uma resolução bancária estão devidamente operacionais.

Além do FMI, também a norte-americana Reserva Federal manifestou recentemente preocupações face ao colosso financeiro alemão, depois da sucursal deste nos Estados Unidos ter falhado os testes de stress daquele regulador – tal como o Santander, aliás.

As autoridades alemãs, contudo, têm optado por ignorar as crescentes preocupações face ao Deutsche Bank, com Wolfgang Schaüble a desviar recorrentemente todas as perguntas que lhe são colocadas sobre a instituição – na última ocasião, e perguntado sobre o banco alemão, o ministro de Merkel respondeu com… o segundo resgate a Portugal.

No último ano, a cotação do Deutsche Bank caiu quase 60%, quebra que se acentuou especialmente com a entrada no novo ano, com o gigante alemão a desvalorizar 49,4% desde janeiro, e acelerou com o “Brexit”. O Deutsche apresenta agora uma capitalização bolsista a rondar os 17 mil milhões de euros, isto num banco com mais de 1,6 biliões de ativos.

Sobre a crise bancária na Europa, ver também: Crise em Itália. Investidores fogem do risco e já cheira a 2008

Além do ‘Brexit’, a incerteza que se vive no setor bancário europeu – afogado entre os crescimentos anémicos, níveis recorde de malparado e taxas de juro nulas – está em níveis máximos à conta da falta de soluções para os problemas italianos, cujos bancos necessitam de uma recapitalização de 40 mil milhões que, graças às novas regras da União Bancária, só podem avançar com a imposição de perdas aos credores privados.

O governo de Matteo Renzi procura avançar com a injeção pública aos bancos sem impor perdas a estes credores, até porque muitos destes serão outras instituições de crédito europeias e mundiais. O Deutsche Bank, por exemplo, pode sofrer perdas com a recapitalização italiana, algo que poderia desencadear um evento à escala global de ramificações a impactos completamente imprevisíveis.

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