Alemanha

CEO do Deutsche Bank quer intensificar reestruturação do banco

John Cryan, CEO do Deutsche Bank. (Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach)
John Cryan, CEO do Deutsche Bank. (Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Além da pressão dos mercados, gigante viu confirmado esta semana que enfrentará a barra dos tribunais nos EUA ainda à conta do escândalo do 'subprime'

A quebra de 98% nos resultados obtidos ao longo deste ano por parte do Deustche Bank, de 796 milhões de euros para 20 milhões, assim como o aumento dos custos de litigância ou o chumbo nos testes de stress norte-americanos, levaram o CEO do grupo alemão a admitir esta semana que vai ser preciso intensificar a reestruturação que o Deustsche já tem atualmente em curso.

Em outubro de 2015 o gigante alemão já tinha anunciado a intenção de cortar 30 mil postos de trabalho nos próximos dois anos, tendo como objetivo poupar a médio-prazo perto de quatro mil milhões de euros. Esta reestruturação já está atualmente em curso e custou no segundo trimestre deste ano perto de 207 milhões de euros, segundo as contas do banco. Mas o esforço terá que ser ainda mais intenso, admitiu agora John Cryan, CEO do Deutsche.

A quebra nos lucros registada pelo banco alemão, surgiu já depois da atenção mediática ter começado a olhar com mais atenção para o Deutsche Bank, especialmente depois de este ter sido apontado pelo próprio FMI como o maior risco para a estabilidade mundial, levando investidores a reforçarem as “defesas” contra a exposição ao banco e os analistas a aumentar os níveis de alerta.

“Se o fraco cenário económico atual persistir, teremos que ser mais ambiciosos em relação aos timings e à intensidade da nossa reestruturação”, apontou John Cryan esta quarta-feira, depois da apresentação dos resultados do banco. “Não nos vamos desviar de tomar decisões difíceis só para equilibrar as contas no curto-prazo”, acrescentou, citado pela Reuters. O CEO do Deutsche, porém, não quantificou ou detalhou como seria feito este reforço ao plano de reestruturação.

Lado a lado com a redução de 30 mil trabalhadores, o grupo alemão anunciou igualmente em outubro de 2015 a intenção de sair de dez países, sobretudo nas Américas, como a Argentina, Chile, Peru, México ou Uruguai.

EUA levam Deutsche Bank a tribunal

Além da pressão dos mercados, o gigante alemão enfrenta atualmente também uma crescente pressão da justiça. No início desta semana, um juiz norte-americano recusou as alegações do Deutsche Bank, confirmando que este enfrentará a barra dos tribunais, onde é acusado de ter enganado milhares de clientes.

Em causa estão ainda as ondas de choque causadas pelo “subprime”. O Deutsche Bank vendeu mais de 5 mil milhões de euros em obrigações securitizadas, ocultando a exposição destas aos mercados ‘subprime’ nos prospetos.

Na decisão tomada esta segunda-feira, o juiz norte-americano aponta nas conclusões que o Deutsche Bank estava ciente desde o outono de 2007 que estava a incorrer em elevadas perdas dado o excesso de exposição ao ‘subprime’, tendo ocultado esse facto dos seus clientes e/ou investidores interessados nas suas obrigações.

 

 

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