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CGD com prejuízos de 205 milhões no semestre

José de Matos, ainda presidente da CGD Foto: José Mota / Global Imagens
José de Matos, ainda presidente da CGD Foto: José Mota / Global Imagens

Banco público justifica os prejuízos com efeitos extraordinários que pesaram nas contas. Estes devem ser os últimos resultados de José de Matos.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) fechou o primeiro semestre do ano com prejuízos de 205,2 milhões de euros, valor que compara com lucros de 47 milhões de euros no período homólogo e que foi influenciado sobretudo por efeitos extraordinários, que pesaram mais de 130 milhões de euros nas contas. Até junho, o produto bancário gerado pela CGD caiu 35% e o rácio de ‘cost-to-income’ passou de 54,9% para 82,5% em comparação com o mesmo mês de 2015.

Estes deverão ser os últimos resultados da responsabilidade da equipa de gestão de José de Matos, que aguarda que a nova equipa liderada por António Domingues tenha a aprovação do BCE para sair do banco e numa altura em que o banco está a ser alvo de uma comissão parlamentar de inquérito, que recomeçará em setembro.

Leia mais: Capital e reestruturação são os maiores desafios da nova gestão da CGD

Segundo a informação divulgada na CMVM, a CGD justifica parte dos prejuízos com os resultados das operações financeiras, negativos em 47,7 milhões, já que foram influenciados pelo impacto da desvalorização da carteira de dívida pública à conta da “volatilidade dos mercados devido ao Brexit”, mas também com as provisões e imparidades e os custos de capital, nomeadamente os juros pagos pelos 900 milhões de obrigações convertíveis (CoCos), que pesaram mais de 40 milhões de euros.

O montante de provisões e imparidades aumentou no período em 6,7 milhões de euros, mais 2,1%, para um total de 328,4 milhões de euros, fixando o custo do risco de crédito em 0,86%.

Nas contas da CGD pesaram ainda os custos de reestruturação no âmbito do Plano Horizonte, que prevê a saída de mil funcionários através de rescisões amigáveis. No semestre o impacto deste custo não recorrente foi de 20 milhões de euros; ainda assim, os custos com pessoal caíram 0,7% – excluindo este efeito teriam caído 6%.

Segundo o banco, e no final do primeiro semestre, o resultado de exploração ‘core’, que resulta da soma da margem financeira estrita e das comissões, registou uma melhoria de 19,1%, de 134 milhões de euros para 159,6 milhões de euros, “influenciado pelo bom comportamento da margem financeira estrita e dos custos operativos”, salienta o comunicado.

A margem financeira estrita de 568,7 milhões de euros representou um crescimento de 5,5% quando comparado com o semestre homólogo de 2015.

O crescimento da margem financeira resultou da redução dos custos de funding e também da redução nos juros de operações ativas, de 17,5% e 9,3% respetivamente.

Os efeitos extraordinários também levaram o produto bancário a cair 34,6%, alcançando 754,7 milhões de euros “fortemente influenciado pela variação de -349,4 milhões de euros nos resultados de operações financeiras”.

A CGD apresenta um rácio LRC de 193,5%, acima das exigências regulamentares, segundo o banco, e um Common Equity Tier 1 phased in de 10% – que compara com 10,8% no mesmo período do ano anterior, segundo o relatório do primeiro semestre de 2015 consultado pelo Dinheiro Vivo. Já o CET1 fully implemented estava em 9,2% em junho de 2016.

A CGD tem fortes necessidades de capital e o plano de recapitalização tem vindo a ser negociado entre o Governo e Bruxelas e pode chegar aos cinco mil milhões de euros.

Crédito vencido sobe

A nível operacional, o crédito a clientes bruto (incluindo créditos com acordo de recompra) era em junho de 70.674 milhões de euros, “tendo o crescimento da nova produção no semestre sido insuficiente para contrariar os vencimentos da carteira”, admite a CGD. Registou-se, assim, uma queda de 2% no semestre.

Já o rácio de crédito vencido há mais de 90 dias foi de 7,4%, ficando estável face a junho de 2015. Por outro lado, o rácio de crédito em incumprimento aumentou um ponto percentual, para 9,8% e o rácio do total de crédito vencido registou uma subida de dois pontos percentuais, para 8,1% no final de junho.

O crédito em risco fixou-se em 12,2% da carteira de crédito. O grau de cobertura do crédito em risco por provisões e imparidades foi de 63,2%, sendo o do crédito a particulares de 46,5% e o do crédito a empresas de 73,7%. O rácio de transformação situou-se em 90,1%.

Já os depósitos registaram um aumento, para 72 mil milhões de euros face aos 69,8 mil milhões de euros no mesmo período do ano anterior, uma melhoria de 3,2%. Em Portugal o aumento foi de 2,5%, sobretudo devido aos depósitos de particulares, que cresceram 4,7%. Nas empresas também se registou um aumento, de 1,8%. A CGD fechou o semestre com uma quota de mercado de 18% no crédito a empresas.

A CGD chegou ao final do semestre com uma redução anual no número de agências de 760 para 729, o que significa que foram encerradas 31 agências em Portugal. Considerando o grupo como um todo, a CGD perdeu em termos líquidos quatro agências no mesmo período.

A atividade da banca comercial nacional teve um impacto negativo no resultado bruto de exploração do banco, registando uma redução de 326 milhões de euros para um valor negativo de 83,6 milhões de euros.

Leia mais: De onde veio o “desvio” que não é um “buraco”

A atividade internacional contribuiu em 205 milhões de euros para o resultado bruto de exploração, que foi de 115,4 milhões de euros, uma redução de 386 milhões de euros face ao mesmo período do ano anterior. A CGD destaca o desempenho da sucursal em França e do BNU Macau, com 77,1 milhões e 36,9 milhões de euros, respetivamente.

A atividade em Espanha, que esteve envolta em polémica, “entrou numa segunda fase de consolidação como filial rentável e essencial para consolidar a quota de mercado de empresas que a CGD detém em Portugal”. A carteira de crédito cresceu no semestre 7%, fruto de um aumento de 34% do crédito a empresas.

Os resultados recorrentes antes de impostos situaram-se nos 13,7 milhões de euros, mais 4% que no semestre homólogo e o resultado líquido de impostos situou-se em 10,5 milhões de euros. O contributo para o resultado líquido consolidado do Grupo CGD foi de 10,5 milhões de euros.

 

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