Futuro da Banca

CGD é o único banco presente em todos os concelhos do país

Caixa Geral de Depósitos (Foto: Hernâni Pereira)
Caixa Geral de Depósitos (Foto: Hernâni Pereira)

Banco é ainda a única opção bancária em dois concelhos do país. Presença da CGD garante ainda que em outros 19 concelhos há mais que um banco presente

A Caixa Geral de Depósitos (CGD), que em breve será alvo de nova reestruturação, é o único banco que está presente em cada um dos 308 concelhos do país, havendo vários onde o banco garante que as populações locais têm acesso a mais do que uma opção de serviços bancários.

Este alcance geográfico da CGD, único em todo o sector, foi definido como uma das “linhas vermelhas” pelos trabalhadores do grupo que a reestruturação futura não poderá ultrapassar no âmbito dos cortes que a instituição irá ser alvo sofrer.

Segundo os dados estatísticos da banca em Portugal, atualizados esta semana pela Associação Portuguesa de Bancos (APB), no final de 2015 contavam-se 4918 agências bancárias no país, menos 1400 do que as existentes em 2011, uma vez que 37% destes balcões, ou 1833, estavam concentrados em Lisboa e Porto. Mas mais do que a presença nos principais focos urbanos, conta olhar para o alcance da oferta de serviços bancários no resto do país.

Assim, e entre os 308 concelhos do continente e ilhas, e no final de 2015, contavam-se dois onde a CGD é a única instituição presente com um balcão – em Barrancos e Vila Velha de Ródão -, concelhos que em conjunto contam com mais de seis mil habitantes.

Mas além destes dois concelhos, contam-se ainda outros 19 onde a CGD tem a companhia de apenas mais uma instituição bancária presente com um balcão, casos do Crédito Agrícola sobretudo no Alentejo – por exemplo em Alvito, Cuba, Alandroal, Alter do Chão ou Crato -, e do Santander Totta nos Açores, muito à conta de este último ter herdado os balcões do antigo Banif.

A recapitalização e as baias

Com o governo a ultimar a recapitalização da CGD, cujo valor pode chegar aos 5,2 mil milhões de euros, cabe à nova gestão do banco desenhar o plano de reestruturação, que fará que fique “com menos balcões e menos trabalhadores”, segundo disse Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado do Tesouro. A vontade do executivo é que a CGD mantenha “o atual nível de intervenção no mercado”, apesar da redução de até 2500 empregos.

Ainda que a maioria dos cortes devam atingir a operação fora de Portugal, dificilmente o mercado doméstico ficará de fora deste emagrecimento. E é no mercado doméstico que a vontade de cortar balcões pode chocar com a função que o banco tem na economia e com os limites que os trabalhadores defendem para os cortes no banco público. A falta de rendibilidade de algumas agências colocará alguns dos balcões mais isolados da CGD na lista dos cortes potenciais. Porém, estas agências mais isoladas e menos rentáveis podem ser igualmente as que garantem que o banco público oferece serviços aos habitantes de todos os concelhos, algo que os trabalhadores da Caixa fazem questão de manter.

No final de agosto, João Artur Lopes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas da CGD (STEC), deu conta disso ao Dinheiro Vivo, realçando a importância e a “responsabilidade social” do banco, depois de questionado sobre o risco da reestruturação afetar o alcance do banco. “Nesse domínio, há uma questão de princípio na CGD, que espero se mantenha: a presença de uma agência em cada concelho.” E sublinhou: “O governo, seja qual for, vai ter de manter isto, a reestruturação tem algumas baias. Tem de ter.”

E os trabalhadores da CGD não estão sozinhos neste desígnio. Ontem, e depois de uma reunião entre várias comissões de trabalhadores da banca, a defesa da “CGD como banco público” e a “manutenção dos seus postos de trabalho e prestação de serviços bancários em todos os concelhos” foi uma das decisões tomadas.

E, apesar de o governo ter vindo a referir que a maioria dos cortes na CGD serão efetuados a nível internacional, ainda que reforçando a aposta em África, a verdade é que pouco sobra para se atingir a dimensão dos cortes desejados no banco público: sem contar com África, os trabalhadores e balcões com que a CGD conta a nível internacional ficam aquém dos objetivos. Entre os negócios internacionais, Espanha é uma das operações que mais tem sido apontada como um alvo preferencial da reestruturação. Neste país, a CGD conta com 110 agências e 521 colaboradores.

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