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CGD lidera nos créditos em risco e é dos bancos menos protegidos

Marcelo Rebelo de Sousa e CGD.
Marcelo Rebelo de Sousa e CGD.

CGD tem mais de oito mil milhões de créditos em risco, valor com que apenas o Novo Banco rivaliza. Deste total, 62,8% têm cobertura

Os cinco maiores bancos em Portugal acumulavam no final de março 25,8 mil milhões de euros de créditos em risco, dos quais mais de metade encontravam-se nos balanços da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do Novo Banco. O banco público, que lidera com larga vantagem o mercado do crédito, tinha, em março, 70,6 mil milhões de créditos concedidos, dos quais 11,9% contabilizados como “créditos em risco”, perto de 8,4 mil milhões de euros.

Já o Novo Banco, e apesar de ter apenas cerca de metade dos créditos concedidos da CGD, contabilizava quase o dobro do rácio de crédito em risco (23% do crédito total), o equivalente a pouco mais de oito mil milhões. Além da CGD e do NB, o Millennium bcp apresentava em março 11,5% de créditos em risco, surgindo depois o BPI e o Santander Totta com 4,7% e 5,76% respetivamente.

O rácio de créditos em risco, um dos indicadores que o Banco de Portugal criou para medir o pulso da banca no pós-crise, engloba não só o valor total dos créditos com prestações ou juros vencidos por um período igual ou superior a 90 dias mas também os descobertos bancários, os créditos reestruturados e os financiamentos sobre os quais exista evidências de haver risco, como falência ou liquidação do devedor. Os bancos têm vindo acautelar estes créditos em risco através do reconhecimento de provisões e imparidades, mas no caso do banco público o grau de cobertura destes créditos está aquém dos pares comparáveis.

creditos

Segundo as contas da CGD relativas ao primeiro trimestre do ano, “o grau de cobertura do crédito em risco por provisões e imparidades foi de 62,8%” até março. Um valor que compara com os 144% de cobertura no Santander Totta, os 86% no BPI, os 72,6% do Novo Banco e os 57% no BCP – valor neste caso referente a crédito vencido a mais de 90 dias e crédito vincendo.

Redução de pessoal

O volume de crédito em risco na CGD e a necessidade de continuar a reconhecer no balanço as eventuais perdas associadas aos mesmos fazem parte dos fatores que alimentam as necessidades atuais do banco público, que vão sendo avaliadas em quatro mil milhões de euros, verba que inclui uma margem destinada a servir de almofada futura para o banco. Mas, além da injeção de dinheiro na CGD, o banco será obrigado a acelerar a reestruturação que já está em curso.

Tendo em conta que António Costa, primeiro-ministro, já garantiu aos deputados que a CGD não irá avançar com despedimentos, o banco público deverá assim reforçar o caminho que já tem trilhado em termos de redução de pessoal, recorrendo às reformas antecipadas. Entre 2011 e o início deste ano, o banco público já reduziu o seu pessoal em quase 1200 pessoas só no mercado português, para 8300 colaboradores, num processo gradual que tem levado igualmente ao encerramento de balcões no país – de 860 para 732, no mesmo período. Mas parte do esforço de reestruturação do banco virá da atividade internacional, segundo avançou também António Costa.

Para o primeiro-ministro, a Caixa terá de analisar as suas posições internacionais para perceber onde ; “é estratégica e não é estratégica a sua presença e aí pode haver redução”. A presença de comunidades portuguesas será um fator-chave nessa avaliação.

CGD cresce em França

A atividade internacional da CGD tem dado importantes contributos na composição dos resultados consolidados do banco, sendo ainda responsável por mais de um quinto dos créditos e depósitos do universo CGD. O banco público na recente apresentação dos resultados trimestrais destacou estar presente “em 11 dos 12 principais destinos de emigração portuguesa”, como Macau, França, Espanha ou Moçambique.

Na sua sucursal francesa o banco tem mesmo aumentado o total de trabalhadores um pouco em contraciclo com o caminho a ser seguido pela banca europeia, marcado pela dieta de colaboradores. Se em 2012 se registavam 530 trabalhadores da CGD francesa, em abril deste ano eram já 544, aumento justificado pela rentabilidade “crescentemente positiva” da sucursal de acordo com o Ministério das Finanças.

No primeiro trimestre do ano, o contributo internacional da operação em França foi de 11,6 milhões, tendo Espanha representado 4,2 milhões e Moçambique 2,5 milhões. Mas é em Macau que está o ramo internacional mais relevante, já que trouxe 18,6 milhões para o grupo entre janeiro e março do ano.

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