Comissão de Inquérito CGD

CGD. Marcelo, António Costa e Carlos Costa querem solução mais low profile

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, em Paris. Fotografia: PAULO NOVAIS/LUSA
Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, em Paris. Fotografia: PAULO NOVAIS/LUSA

Primeiro-ministro também defende solução que "não destabilize o sistema financeiro" e, mais concretamente, a CGD. Comissão de inquérito pode não ser a melhor via

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, está a articular com o primeiro-ministro e com Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República, uma alternativa à comissão de inquérito parlamentar à CGD que o PSD que levar adiante, o quanto antes. E o primeiro-ministro, António Costa, defende uma solução que “não destabilize o sistema financeiro”, sobretudo “aquele que é o grande pilar do sistema financeiro [português] que é a Caixa Geral de Depósitos”.

Segundo a edição deste sábado do Expresso, o PR e o governador do banco central estão a estudar forma de se poder investigar mais a fundo o que se passou na CGD ao longo dos últimos anos — e as causas dos avultados prejuízos que podem culminar neste ano numa recapitalização que pode custar até 4000 milhões de euros — mas que não gere ondas de incerteza nos mercados.

Em visita a França, o primeiro-ministro, defendeu, em Paris, a necessidade de “não destabilizar o sistema financeiro”, reportou a Lusa.

“Partilho com o senhor Presidente da República e com o senhor governador do Banco de Portugal a necessidade de sermos muito prudentes, não procurar destabilizar o nosso sistema financeiro, sobretudo aquele que é o grande pilar do nosso sistema financeiro que é a Caixa Geral de Depósitos”, declarou António Costa, à saída de uma reunião com o homólogo francês, Manuel Valls.

Um balde de água fria sobre Passos Coelho e o PSD?

Esta ideia nova de não levantar muita poeira com a Caixa, o maior banco português, colide com as pretensões do PSD e do seu líder, Pedro Passos Coelho, que pretendem montar uma comissão de inquérito à CGD, rapidamente, até ao final da atual sessão legislativa, ou seja, até julho ou setembro, para apurar responsabilidades.

O chefe de Governo português sublinhou que “é um tema que está em discussão na Assembleia da República e não compete ao Governo estar a pronunciar-se, sobretudo porque não é uma comissão de inquérito sobre a atuação do atual Governo nem de um período da responsabilidade do atual Governo”.

Por isso, António Costa salientou que “seria particularmente indelicado que o Governo se intrometesse nesse debate que está em curso na Assembleia da República”.

Questionado sobre a possível alternativa a uma comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, o primeiro-ministro defendeu o acesso dos deputados ao “conjunto de informação que ao longo dos anos as instituições de supervisão, quer portuguesas, quer europeias têm obtido sobre a Caixa Geral de Depósitos”.

“Estou certo que se a Assembleia da República puder ter acesso ao conjunto de informação que ao longo dos anos as instituições de supervisão quer portuguesas quer europeias têm obtido sobre a Caixa Geral de Depósitos, acho que isso permitirá satisfazer aquilo que é legítimo, que é os deputados quererem saber o que é que se passou e, por outro lado, não repetir aquilo que já foi feito”, acrescentou.

António Costa concluiu: “Talvez isso ajude a que tudo se encaminhe no bom sentido de nada ficar por saber mas não se perturbar a estabilidade do nosso sistema financeiro e em particular a Caixa Geral de Depósitos, que é o grande pilar da estabilidade do nosso sistema financeiro.”

Marcelo não toma posição pelo menos em público

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reiterou na noite de sexta-feira que não toma posição sobre matérias da competência do Parlamento, afastando assim a possibilidade de se pronunciar sobre a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos proposta pelo PSD.

“O Presidente da República afirmou, repetidamente, que não toma posição sobre matérias da competência da Assembleia da República, que, em caso algum, podem ser objeto de intervenção presidencial, como é o caso com comissões parlamentares de inquérito. Não tem por isso fundamento uma tomada de posição quanto a eventual comissão parlamentar de inquérito sobre a CGD”, refere uma nota de Belém enviada à agência Lusa ao início desta madrugada.

António Costa reuniu-se com o chefe de Governo francês, oito dias após ter sido recebido por Manuel Valls e pelo chefe de Estado francês, François Hollande, no Palácio de Eliseu, juntamente com o Presidente da República português.

A reunião com o primeiro-ministro francês ocorre dois dias antes de António Costa receber em São Bento o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Na agenda do regresso de António Costa a Paris estão ainda a inauguração do “Espaço do Cidadão” para prestação de serviços públicos online e, pelas 21h00 locais, a presença no jogo da seleção portuguesa de futebol com a Áustria no Euro2016.

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