Money Conference

Paulo Macedo diz que “a CGD não é uma nêspera” para ser comida

A carregar player...

Paulo Macedo voltou a negar que a CGD tenha aumentado 73% os custos para os clientes. Em 2020 também não vão aumentar, garante.

No painel de debate dedicado ao tema “Transparência e Boas Práticas em Portugal”, Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, voltou a garantir que em 2020 o banco não vai mexer nos valores das comissões cobradas aos clientes.

O presidente executivo do banco público afirmou também que “até ao final da legislatura a CGD não será privatizada”, apesar de agora estar “mais apetecível”. “No dia em que a CGD não for pública deixa de ser portuguesa”, disse Paulo Macedo.

“Em 2020 não pensamos fazer um aumento de comissões, exceto se houver uma grande mudança e contexto”, reafirmou, acrescentando também: “Não vemos neste momento estar a aplicar estas comissões a empresas públicas ou instituições financeiras”. O responsável da Caixa lembrou que todos os valores das comissões bancárias cobradas estão no comparador do Banco de Portugal.

No debate moderado por Rosália Amorim, diretora do Dinheiro Vivo, participaram também António Ramalho, CEO do Novo Banco, Miguel Maya, CEO do Millennium BCP, Pablo Forero, CEO do BPI e Pedro Castro Almeida, CEO do Santander.

Com o debate centrado no banco estatal, o presidente executivo voltou a negar que o banco tenha aumentado nos últimos tempos, em média, em 73% os custos para os clientes, recorrendo de novo aos adjetivos “absurdo” e “total fake news”. Na visão de Paulo Macedo, a Caixa aumentou as suas comissões até agora entre 2 a 4% este ano.

“Toda a gente tem a expectativa que a CGD que esteja calada e sossegada, sempre a ser alvo de bullying. Mas a CGD não será uma nêspera. A CGD não tem gestores pagos para andarem a ver navios”, disse Paulo Macedo, arrancando gargalhadas do auditório ao contar a história da “velha e da nêspera”, em que o dito fruto acaba por ser comido precisamente por estar quieto e sossegado.

Sobre o futuro, Paulo Macedo diz que “o cenário de incerteza é bastante desafiante” em Portugal e que 2020 será para a CGD um “ano decisivo para concluir o seu plano com sucesso”. “Se a CGD conseguir remunerar e devolver o dinheiro aos clientes será diferente. O banco cometeu erros e não os escamoteia. Mas hoje temos mecanismos de supervisão sem precedentes para evitar as más práticas. Temos uma supervisão feita por 11 entidades distintas, cada uma a fazer o seu trabalho”, sublinhou ainda Paulo Macedo.

O CEO lembrou ainda as várias linhas de defesa do banco: na área comercial, no compliance, na auditoria e ainda ao nível das 11 autoridades externas, que incluem o Banco de Portugal, o Banco Central Europeu, entre muitos outros.

“Nos últimos anos tivemos três comissões de inquérito, seis aumentos de rating”, disse também o CEO, recusando comentar qualquer decisão sobre se a CGD vai processar antigos gestores responsáveis por créditos problemáticos.

Fazendo uma análise do panorama nacional, Paulo Macedo diz que o “investimento não está a crescer” e a economia continua “focada no turismo e na requalificação e ainda não saímos daí”.

“A política monetária não está a levar as empresas a investir. Está a permitir que as pessoas voltem a comprar casa, mas não está a relançar a economia e está a prejudicar bancos em termos de margens e solvabilidade”, disse o CEO, acrescentando que, apesar de tudo, “os bancos têm mais capital e o crédito está menos dependente de colaterais de ativos em bolsa, que explicaram a crise em Portugal e na Europa”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Centeno, ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ

Peso da despesa com funcionários volta a cair para mínimos em 2020

26/10/2019 ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Conselho de Ministros aprovou Orçamento do Estado

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República portuguesa. Foto: REUTERS/Benoit Tessier

OE2020: PR avisa que é preciso “ir mais longe” em matérias como a saúde

Outros conteúdos GMG
Paulo Macedo diz que “a CGD não é uma nêspera” para ser comida