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CGD perdeu 1200 milhões em empréstimos de risco

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A auditoria da EY identificou financiamentos concedidos sem respeitar as regras por várias administrações do banco público.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) assumiu perdas de 1,2 mil milhões de euros em 46 grandes financiamentos concedidos entre 2000 e 2015. Os maiores prejuízos foram provocados nos empréstimos concedidos à la Seda e aos empresários Joe Berardo e Manuel Fino.

Os números constam numa auditoria feita pela EY aos atos de gestão do banco público entre 2000 e 2015. Essa análise foi pedida pelo Ministério das Finanças após iniciativas parlamentares. A Procuradoria-Geral da República pediu depois à CGD o envio da auditoria. O documento tem sido também exigido pelo Parlamento. Mas o banco público tem-se negado a enviar a auditoria para a Assembleia da República, invocando o sigilo bancário e, mais tarde, o segredo de Justiça.

No entanto, a comentadora Joana Amaral Dias revelou a auditoria preliminar num programa na CMTV. Segundo o documento, citado pelo Eco, Expresso e Jornal Económico, as administrações da CGD entre 2000 e 2015 ignoraram pareceres de análise de risco e concederam créditos sem terem garantias suficientes de que iriam recuperar o dinheiro.

A EY identificou várias operações que não respeitaram as regras de concessão de crédito. Houve financiamentos aprovados com pareceres desfavoráveis ou condicionados da análise de risco, sem apresentação de pareceres técnicos da Direção Global de Risco, sem evidência de que tenha sido obtida toda a informação exigível e em que as garantias assinadas em contrato não eram suficientes para fazer face ao rácio de cobertura de 120%.

A falha num ou em vários desses indicadores foi identificada nos 46 créditos que geraram imparidades (perdas assumidas com os empréstimos concedidos) no valor de 1,2 mil milhões de euros. O financiamento da Artland (La Seda) para a construção de uma fábrica de químicos em Sines, causou o maior buraco. Do crédito de 350,8 milhões de euros, 211 milhões foram perdidos. A unidade da antiga La Seda foi vendida a um grupo tailandês no final do ano passado.

Joe Berardo também aparece na lista dos maiores devedores. A fundação do empresário obteve créditos de 267 milhões de euros. O banco público assumiu prejuízos de 124 milhões com esses financiamentos. Além dos empréstimos à Fundação Berardo, a CGD emprestou ainda dinheiro à Metalgest, uma das outras sociedades do empresário. O banco público assumiu perdas de 28 milhões de euros em empréstimos de 52,5 milhões.

Na lista dos devedores que deram mais prejuízos à CGD estão ainda o empresário Manuel Fino, a AE Douro Litoral, a Jupiter SGPS (entidade relacionada com a La Seda) e a construtora Opway.

Investimento no BCP deu prejuízo de 555 milhões

Não foi só pela concessão de crédito de risco que as contas da Caixa Geral de Depósitos foram afetadas. O banco público fez, entre 2000 e 2015, vários investimentos com resultados ruinosos, segundo a auditoria preliminar da EY. As aplicações feitas em ações do BCP traduziram-se em perdas de 555 milhões de euros, segundo o documento citado pelo Eco. A auditora aponta ainda o dedo à aprovação dada pelo banco público à saída de líderes de topo para o BCP, casos de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara (que na semana passada começou a cumprir cinco anos de pena de prisão efetiva, no âmbito do processo Face Oculta, condenado por tráfico de influência enquanto ex-ministro).

Além dos prejuízos no BCP, o banco público teve perdas de 340 milhões de euros com as obrigações Caravela (que foram originadas numa operação financeira feita com o Credit Suisse). A La Seda também representou perdas via posição acionista no valor de 53 milhões de euros. Houve outras operações a gerar perdas, como o investimento em imobiliário em Espanha ou as aplicações feitas no capital da Vista Alegre.

Ainda assim, certas operações deram lucro, incluindo o investimento em ações da EDP. A consultora conclui que, entre valorização dos títulos e dividendos, o banco público encaixou 350 milhões de euros.

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