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CGD. Risco de ver património “espalhado nos tablóides” trava gestores

JOÃO RELVAS/LUSA
JOÃO RELVAS/LUSA

Ex-CEO da CGD diz que regras exigidas aos gestores públicos, de divulgação de rendimentos e património, "são uma barreira" à contratação

O risco de “ter as declarações de rendimentos e património espalhados nos tablóides” é um travão à capacidade de atrair pessoas qualificadas para a gestão da Caixa Geral de Depósitos, apontou António Domingues, ex-CEO do banco público, a propósito da polémica da entrega destas declarações que, no limite, levou à saída do ex-administrador do BPI do banco público.

O agora ex-presidente da CGD encontra-se esta manhã a ser ouvido pela comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA), depois de um requerimento do PS. O regresso do ex-CEO da CGD à comissão de inquérito sobre o banco público foi chumbado pelos partidos mais à esquerda por ter sido considerado que a CPI apresenta mais condicionalismos que a presença na COFMA, onde o objeto da audição pode ser mais abrangente.

Sobre a polémica das declarações de rendimentos e património, de apresentação obrigatória por parte dos gestores de empresas públicas, Domingues começou por apontar que não tem qualquer problema com a divulgação dos seus rendimentos anuais, “basta ver que os mesmos são publicados todos os anos no relatório e contas das empresas”. O problema está mesmo na divulgação do património: “Este é mais da esfera pessoal.”

“Não faz sentido existirem regras específicas para a CGD que não existem para outros bancos”, explicou o antigo administrador do BPI sobre as diferentes regras de divulgação de rendimentos e património que encontrou no banco público. “Em Portugal decidiu-se exigir declarações de patrimónios e rendimentos aos titulares de cargos público, o que existe em poucos países da Europa”, sublinhou.

Questionado se pediu ao governo que encontrasse uma forma de evitar que estas declarações fossem tornadas públicas, Domingues admitiu que o fez e que “se me dissessem não ia à minha vida”.

Contudo, e com o engrossar da polémica associada à entrega ou não da declaração de rendimentos e património, explicou o ex-CEO da CGD, a equipa que criou para liderar o banco público foi perdendo elementos, que recusaram a entrega das declarações.

“Saíram uns sete e dada a forma como o debate decorreu e as suas implicações, senti que não tinha condições para continuar. Entendi que não tinha condições para continuar a gerir a CGD e como a demissão não punha em causa a capitalização, foi o que fiz.”

Para António Domingues, as regras exigidas aos gestores públicos “são uma barreira” à contratação de pessoas “com muita experiência” mas que, no final do dia, “lei é lei e os acionistas [Estado] decidiram o que entenderam”.

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