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CGD. Sem Leonor Beleza não há mulheres na administração

Leonor Beleza, Fundação Champalimaud
Leonor Beleza, Fundação Champalimaud

BCE vetou a ex-ministra por excesso de acumulação de cargos. Governo vai mudar a lei para avançar com a nomeação de mais administradores.

O veto do Banco Central Europeu (BCE) a Leonor Beleza na administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) deixa o conselho de administração do banco público sem nenhuma mulher.

O BCE aprovou ontem o modelo de ‘governance’ da CGD e 11 nomes para a administração: sete administradores executivos e quatro não executivos, mas deixou de fora oito nomes propostos pelo Ministério das Finanças.

Leonor Beleza, da Fundação Champalimaud, Carlos Tavares (da PSA) e Ângelo Paupério (da Sonae) foram alguns dos nomes chumbados pelo banco central europeu, uma vez que ultrapassavam a acumulação de cargos em órgãos sociais. Foram ainda vetados Bernardo Trindade, Rui Ferreira, Paulo Pereira da Silva, António da Costa Silva e Fernando Guedes, segundo o Jornal de Negócios.

A ex-ministra mostrou-se surpreendida com o veto e reiterou que o cargo seria não remunerado. “Fui surpreendida hoje pelas notícias veiculadas pela comunicação social sobre o processo de apreciação da minha possível nomeação como administradora não executiva da Caixa Geral de Depósitos”, afirmou a atual presidente da Fundação Champalimaud, questionada pela Lusa.

Perante este chumbo, o atual conselho de administração da CGD, que tomará posse “o mais rapidamente possível” e “seguramente antes do final do mês”, com 11 elementos liderados por António Domingues, ficará sem nenhuma mulher, o que vai contra as regras da paridade, uma preocupação já expressa pelo PS numa pergunta ao Governo.

O BCE está a exigir, contudo, que sejam nomeadas entre três a seis mulheres em 2018, para que a Caixa tenha 30% de elementos do sexo feminino na administração, segundo o Jornal de Negócios, que cita a decisão do banco central.

A equipa de 11 elementos vai já tomar posse e, no curto prazo, serão nomeados mais administradores. O Governo queria 19 elementos na administração da CGD para que fossem constituídas várias comissões para fiscalizar o trabalho da comissão executiva. Agora, “no curto prazo”, garante o ministério das Finanças, serão nomeados mais administradores mas não é certo que a equipa fique com os 19 inicialmente pretendidos.

Para avançar com as nomeações será necessária uma alteração legislativa, que o Executivo já garantiu estar a preparar. “A alteração pretende deixar os bancos portugueses com um âmbito e universo de contratações de não executivos mais alargado”, como acontece “na generalidade dos outros países europeus”, explicou o secretário de Estado do Tesouro, Mourinho Félix, no Jornal da Tarde da RTP, acrescentando que não se trata de uma alteração feita à medida para a CGD.

Os administradores não executivos que avançam para já, além da comissão executiva, são Pedro Norton, Rui Vilar, Ángel Corcóstegui e Herbert Walter.

O BCE aprovou também a acumulação do cargo de CEO e de chairman por António Domingues mas só durante seis meses. O Governo, o Banco de Portugal e a CGD terão de encontrar uma alternativa mas o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Mourinho Félix, já disse que ia recorrer da decisão uma vez que o chairman representa, no caso da Caixa, um acionista único.

Foi ainda aprovado o modelo de governação, que além dos administradores executivos e não executivos contará com um conselho fiscal com quatro elementos.

 

 

 

 

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