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CGD. Sindicato ataca futura gestão e critica governo

Mário Centeno. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Mário Centeno. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Há conflitos de interesses "evidentes" na futura gestão, diz Sintaf, que lembra que muitos dos gestores propostos vão manter funções nas suas empresas

O Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira (Sintaf) identifica na lista de nomes propostos pelo governo para a futura administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) o sinal que a gestão do banco público continuará marcada pela “partilha partidária entre o PS, PSD e CDS”, precisamente o tipo de administração que nos últimos anos acumulou “múltiplos erros” que penalizaram a CGD e os contribuintes.

“Nas últimas décadas, a par da reprivatização do setor financeiro, a CGD foi gerida por gente da confiança dos banqueiros nomeada pelos sucessivos governos do PS, PSD e CDS”, recorda o Sintaf em comunicado. “Estranha-se, por isso, que o atual governo persevere na política de nomeação de gente ligada aos mesmos três partidos e aos mesmos interesses do capital, sem garantias expressas de defesa do banco público e dos interesses dos trabalhadores.”

Na lista de administradores propostos para a gestão da CGD, que ainda carece de aprovação, encontram-se vários ex-responsáveis do BPI, a começar por António Domingues, proposto para CEO, mas também quadros relevantes de outras empresas de especial relevo na economia portuguesa e a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza.

“Para a nova administração são propostos 19 nomes, alguns sem qualquer experiência de gestão bancária, mas todos com currículos de bom serviço prestados aos interesses do capital”, atira o Sintaf, que salienta que além do domínio que os ex-BPI terão na CGD, encontram-se também nesta futura administração “elementos de outras grandes empresas, incluindo de várias que já têm negócios com a CGD (Sogrape, UNICER, Sonae, Porto Bay, Renova, Fundação Champalimaud)”. E conclui: “Os conflitos de interesses são evidentes, tanto mais que esses elementos mantém as suas funções em tais organizações.”

O Sintaf recorda ainda no seu comunicado que os resultados dos últimos anos “desta política vergonhosa de partilha da CGD por interesses ilegítimos” levaram à transformação do banco “em barriga de aluguer de outros prejuízos e interesses externos, como foram o BNU, em diversas fases da história das duas instituições, o BPN falido que teve de engolir com imensas perdas, a tomada de participações na PT o no BCP com elevados prejuízos, tal como com a venda de lucrativas empresas e posições”.

O sindicato conclui lamentando que o governo PS, “em vez de inverter essa política vergonhosa de partilha da CGD por interesses ilegítimos”, acabe por apostar numa lista de nomes que, para o Sintaf, significam “uma administração do mesmo tipo”, garantindo-lhe ainda um nível mais elevado de remunerações.

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