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Chinesa Fosun apresenta proposta para tomar até 30% do BCP

Fotografia: André Kosters/ LUSA
Fotografia: André Kosters/ LUSA

Fosun condiciona proposta a ter 2 membros no Conselho de Administração, os quais integrariam igualmente a Comissão Executiva do BCP

A empresa chinesa Fosun, que em Portugal detém a Fidelidade, apresentou este sábado uma “proposta firme” para tomar 16,7% do capital do BCP através de um aumento de capital reservado unicamente à empresa. Além disso, “a Fosun considera ainda aumentar a sua participação”, seja através do mercado ou em aumentos de capital futuros, “com vista” a atingir os 20% a 30% do banco liderado por Nuno Amado.

Atualmente, o capital do BCP conta com a angolana Sonangol como a maior acionista, com 17,84% do capital, seguida do Sabadell (5,07%), da EDP (2,71%), BlackRock (2,22%) e da InterOceânico (2,05%). Considerando a totalidade dos acionistas, qualificados e não qualificados, perto de 54% do capital do Millennium bcp está em mãos portuguesas. Pelo menos por enquanto.

Em comunicado agora divulgado junto da CMVM, o BCP “informa ter recebido hoje uma carta da Fosun Industrial Holdings Limited, contendo uma proposta firme para um investimento no capital social do BCP”, onde a empresa “propõe-se subscrever um aumento de capital reservado unicamente à Fosun (…) através da qual, aos níveis atuais, a Fosun passaria a deter uma participação de aproximadamente 16,7% do total de ações representativas do capital social do BCP”.

A proposta da Fosun, detalha o BCP, inclui ainda uma proposta da empresa para continuar a “aumentar a sua participação” no banco “através ou de operações em mercado secundário ou no contexto de aumentos de capital futuros, com vista ao potencial aumento da participação social da Fosun no BCP para entre 20% a 30%”.

Fosun quer dois administradores e pagar 0,02€

De acordo com a “Proposal Guidelines of Agreement” apresentada pela Fosun ao BCP, a empresa refere que ao abrigo das decisões tomadas na assembleia-geral do banco no final de abril – supressão do direito de preferência dos acionistas atuais em futuros aumentos de capital até deterem 20% do banco -, deseja então que o Millennium avance com um aumento de capital exclusivo para a Fosun de modo a tomar 16,7% do capital. Mas a proposta elenca também outras condições que devem ser satisfeitas para “a concretização do investimento”.

Desde logo a aprovação por parte das autoridades supervisoras “da aquisição de uma participação qualificada pela Fosun” mas também a “clarificação” por parte das entidades competentes “quanto à desnecessidade de realização de contribuições especiais e de reconhecimento contabilístico imediato de potenciais contribuições futuras para o Fundo de Resolução nacional”.

Apesar de impor como condição igualmente a “concretização e registo do processo de reverse stock split” aprovada na AG de 21 de abril – que vai fundir 75 ações do BCP numa só, elevando o valor de cada para 8,26 euros -, certo é que a Fosun pretende entrar no capital do banco com um “preço de subscrição do aumento reservado não superior a €0,02 (com ajustamento decorrente do reverse stock split)”.

BCP: “Potencial interesse estratégico”

De acordo com a administração do BCP, “reconhecendo o interesse estratégico potencial da proposta apresentada por um investidor internacional com o perfil da Fosun e com presença relevante no mercado português”, a comissão executiva vai “proceder de forma célere e cuidada” à análise da proposta hoje referida. Uma análise que irá decidir “sobre abertura de negociações e a apresentação, assim que possível, de uma recomendação ao Conselho de Administração”.

Apesar desta posição, o BCP salienta que a proposta recebida “não pode ser entendida como garantia” que a proposta da Fosun avance ou que já exista qualquer decisão sobre a mesma.

O BCP apresentou esta sexta-feira prejuízos de 197 milhões de euros no primeiro semestre, valor que compara com os lucros de 240 milhões de euros conseguidos no mesmo período de 2015. O banco, na apresentação dos resultados, realçou todavia a melhoria obtida ao nível dos testes de stress do BCE realizados este ano. Ainda assim, o BCP registou uma deterioração nos seus rácios no final do primeiro semestre.

Peça atualizada às 22h35 com mais informação.

 

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