Escândalo BES

Com um só esquema, Salgado e Morais Pires tiraram 1249 milhões do BES

Morais Pires, o administrador financeiro, desenhou o esquema por onde circulava e se despistava o dinheiro. Mas era Salgado que dava o OK final.

Entre 2009 e 2014, com recurso a apenas um esquema centralizado numa sociedade suíça, a Eurofin, Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires, na altura presidente e administrador financeiro do BES, conseguiram extrair três mil milhões de euros do banco, abrindo um buraco nas contas na ordem dos 1249 milhões de euros, avança a edição do Expresso, este sábado.

O jornal cita a acusação do Banco de Portugal no processo do escândalo BES, dizendo que esta já é do conhecimento do Ministério Público.

O semanário destaca que o referido esquema, repetido vezes e vezes ao longo de anos, serviu para desviar dinheiro para financiar “investimentos da família e de amigos, ocultar ativos tóxicos, manipular a cotações das ações do BES e fazer pagamentos ao saco azul”, o fundo do qual sairia dinheiro para pagar favores e facilidades em negócios a diversas figuras com poder e alto perfil. Presidentes de grandes empresas, um primeiro-ministro, um ministro.

Como funcionava o esquema

O jornal dá um exemplo de como a coisa funcionava. No dia 12 de fevereiro de 2014, com o aval de Ricardo Salgado, “o BES emitia 400 milhões de euros em obrigações (dívida), que depois de um processo intrincado de operações permitiria ao fundo Zyrcan obter uma mais-valia de 64 milhões de euros e ao ECT 142 milhões de euros”.

Ou seja, “no conjunto, a sociedade Eurofin, que detinha ambos os fundos, tinha acabado de ganhar mais de 200 milhões de euros, valor que eram perdas para o BES”. Este dinheiro “passava a estar à disposição de Salgado para as mais diversas operações”.

“Este esquema foi repetido dezenas de vezes pelo menos desde 2009 e levou a encargos líquidos para o BES no total de 1249 milhões”, diz o jornal que cita os documentos do banco central governado por Carlos Costa.

Morais Pires, o administrador financeiro, foi quem desenhou o esquema por onde circulava e se despistava o dinheiro. Mas era Ricardo Salgado que aprovava. Isabel Almeida, uma diretora do BES da confiança dos dois, executava as operações.

Pagar a quem

A acusação do BdP diz que, entre outras coisas, o esquema financeiro montado em torno da Eurofin, servia para “financiar investimentos e pessoas próximas do GES” e que “um dos principais beneficiários deste esquema foi a Ongoing [a antiga dona do Diário Económico, que entretanto faliu], de Nuno Vasconcelos e Rafael Mora”. Vasconcelos partiu para o Brasil e não é visto em Portugal desde então.

Além destes, “a Prinvest de Eduardo Rodrigues, sócio-fundador do grupo Obriverca (em conjunto com Luís Filipe Vieira), também foi financiada pelos Veículos Eurofin”, anota o Banco de Portugal.

“O empresário Patrick Monteiro de Barros também está na lista, financiado através da empresa Telexpress”, diz o Expresso.

A Eurofin, através do tal fundo Zyrcan, que controlava, também metia dinheiro no mediático “saco azul”, a “Espírito Santo Entreprises”.

Segundo o jornal, “a empresa suíça era usada para o «pagamento de salários, bónus e comissões a um vasto conjunto de pessoas relacionadas com o GES ou o GBES», mas de acordo com a acusação da Operação Marquês foi este fundo que alimentou o ‘saco azul’ do GES com pelo menos 165 milhões de euros”.

“Desta forma foi possível ao GES pagar prémios não declarados a colaboradores do BES e do GES, incluindo o antigo ministro da Economia, Manuel Pinho. A Eurofin era, assim, central na forma como o GES arranjava fundos que acabaram por servir para realizar pagamentos alegadamente corruptos de 70 milhões de euros a José Sócrates, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava”, escreve o Expresso.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje

Página inicial

O advogado e porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pardal Henriques (C), acompanhado pelo presidente do sindicato, Francisco São Bento (D), à saída da reunião com o governo. (MANUEL DE ALMEIDA/LUSA)

Pardal Henriques deixa de ser porta-voz do Sindicato dos Motoristas

TIAGO PETINGA/LUSA

Sindicato faz greve “cirúrgica” às horas extra entre 7 e 22 de setembro

Outros conteúdos GMG
Com um só esquema, Salgado e Morais Pires tiraram 1249 milhões do BES