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Comissões no multibanco. Santander e CGD são os bancos que mais teriam a ganhar

Fotografia: DR
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Os líderes dos maiores bancos insistem em cobrar comissões nas caixas automáticas. Lei proíbe custos para os clientes.

Portugal é o país europeu em que as caixas multibanco são mais populares. É também um dos poucos mercados em que levantar dinheiro ou fazer pagamentos nas caixas automáticas não tem comissões. É uma exigência da lei. Mas os presidentes dos maiores bancos nacionais queixam-se e defendem que não faz sentido este serviço não ter custos para os utilizadores. Santander Totta e Caixa Geral de Depósitos seriam os bancos que mais teriam a ganhar com a introdução de comissões, já que têm as maiores redes de caixas automáticas (ATM).

O banco liderado por Pedro Castro Almeida tinha, no final de 2018, uma rede de 1441 caixas multibanco espalhadas pelo país, uma quota de 16,1%, segundo dados de um estudo do Centro de Estudos Políticos Europeus (CEPS, na sigla em inglês). Já a Caixa Geral de Depósitos tem 1361 ATM (15,2%) e o Crédito Agrícola completa o pódio com mais de 1300 máquinas multibanco. Dos restantes bancos a operar em Portugal, apenas o BCP supera as mil máquinas automáticas (1244).

Pedro Castro Almeida defendeu esta semana, na apresentação de resultados do Santander Totta, que “aqui em Portugal temos custos de contexto interessantes”. Detalhou, citado pela Lusa, que “não se paga taxas nas ATM (caixas multibanco automáticas) e isso tem custos para o banco”. Também Paulo Macedo, o presidente do banco público, defendeu esta quarta-feira no CEO Banking Forum que “se o serviço tem valor, deve ser pago”.

Pablo Forero, presidente do BPI, e António Ramalho, líder do Novo Banco, também defenderam na mesma conferência a introdução de comissões no multibanco. Já Miguel Maya, presidente do BCP, considerou que a questão “não é se deve ser pago ou não deve ser pago, deve ser que na União Bancária haja as mesmas regras”.

Portugueses são os que mais usam caixas multibanco

Em Portugal, cobrar comissões nos levantamentos, depósitos ou pagamentos em caixas automáticas (ATM) é proibida por lei. Em 2010, o governo decidiu impor essa limitação para “a promoção da utilização de instrumentos de pagamento eficazes, em condições adequadas de transparência e concorrência”.

A ausência de custos e a relutância que os portugueses ainda têm em utilizar serviços bancários pela internet levou a que Portugal seja o país onde os ATM são mais populares. “Cada pessoa faz em média 0,9 levantamentos por semana, quase o dobro da média europeia”, dizem os especialistas do CEPS.

A contribuir para a popularidade desta solução está o facto de Portugal ter a melhor rede de caixas automáticas e de oferecer funcionalidades que não existem noutros países. Existem 89 equipamentos no país por cada 100 mil habitantes. Em Espanha, outro dos países com a rede mais desenvolvida, essa relação é de apenas de 67 caixas automáticas.

O estudo do CEPS realça que “Portugal é uma sociedade que tem uma dependência elevada do numerário e que visita frequentemente os ATM”. Uma das explicações apontadas é que “os cidadãos portugueses podem ter uma maior aversão ao risco em relação à banca online e, assim, preferem meios de pagamento tradicionais”. No entanto, os bancos portugueses estão a tentar executar uma estratégia para converter clientes aos serviços digitais.

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