Money Conference

Como a banca se está a preparar para 2030

(Orlando Almeida / Global Imagens)
(Orlando Almeida / Global Imagens)

Depois das perdas provocadas pelas “asneiras” do passado, a banca garante que está em condições de dizer presente no financiamento da economia.

Os últimos anos não deixarão saudades ao setor bancário. Mas são uma lição a ter em conta para os planos que os bancos portugueses preparam para a próxima década. Os líderes de algumas das maiores instituições financeiras nacionais dizem que ainda se está a pagar a fatura deixada pelas “asneiras” do passado. Mas garantem que o setor tem agora capital suficiente para responder às necessidades de financiamento das empresas.

“Os bancos querem e os bancos podem apoiar as nossas grandes empresas, as nossas PME e os nossos empreendedores”, afirmou Faria de Oliveira, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), na Money Conference, organizada pelo Dinheiro Vivo e pela TSF. E do lado dos presidentes executivos da banca a mensagem é a mesma.

“A preparação dos bancos é ter o trabalho de casa feito e isso passa por ter capitais para financiar”, disse Paulo Macedo. O presidente da Caixa Geral de Depósitos observa que depois das restrições que a banca sofreu no passado, agora “há capitais suficientes”. Paulo Macedo assegura que “para os bons projetos há crédito de certeza” e diz que o que “a banca e a CGD querem é fazer bons financiamentos”.

O líder do banco público reconhece que há empresas que se queixam. Mas advertiu que “não se pode é fazer as mesmas asneiras” do passado. “Ainda há uma certa admiração por aquilo que era considerado como um banqueiro, que com um aperto de mão dava crédito, sem conhecer projetos ou em que o crédito era dado numa rede de conhecidos e amigos”, disse. Relembrou que foi isso que levou “às perdas na banca.

Do lado do Millennium bcp a prioridade é a mesma. “Queremos investir muito na área de empresas”, apontou Miguel Maya. Mas o presidente executivo do banco entende que há empresários que têm razão quando se queixam de falta de crédito. “Houve empresários que fizeram reestruturações e que ficaram marcados como NPE [exposições não rentáveis].” E dada a pressão para reduzir nessas exposições, “os bancos nem querem pensar em fazê-las crescer, apesar de isso ser difícil de perceber porque numa lógica económica faria todo o sentido emprestar”.

Faria de Oliveira defende que os bancos estão a competir “para financiar empresas solventes, com projetos economicamente viáveis”. A perspetiva é partilhada por um banco que entrou no mercado português há dois anos. Alberto Ramos, presidente do Bankinter Portugal, disse que apesar de se discutir se há ou não crédito para as empresas, o que se observa é que esse mercado é “extremamente competitivo”. Sublinha que “quando se fala de falta de apoio, nas boas empresas lutamos todos arduamente”.

Os planos até 2030

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, defende que uma das prioridades para a próxima década é a mudança do conceito de como a banca trabalha com as empresas. “O desafio que se vai colocar a todo o sistema financeiro será diferente do que o que leva a que haja notícias nos jornais sobre se há ou não crédito concedido às empresas”, disse. Detalhou que na banca de empresas a questão não deveria ser essa, mas sim se existe uma forte parceria entre bancos e empresas. António Ramalho avisa que a próxima década “vai obrigar a muitas mudanças”. E não apenas na economia digital. “Vai haver novas oportunidades na economia verde e também azul que irão obrigar à refundação dos modelos de financiamento.”

Outro fator a ter em conta pelos bancos será a forma como irão operacionalizar os fundos estruturais para a próxima década. Miguel Maya diz que o Millennium bcp “está já a estudar o quadro 2030”. E que foram definidos grandes pilares como a mobilidade, transportes, ambiente e energia. O líder do banco refere que essa tarefa exige “saber, know how e capacitar as pessoas”. Mas garante que, depois dos problemas do passado, “finalmente estamos com capacidade operativa a 100%”.

Paulo Macedo avisa que “para termos novos patamares para o crescimento do PIB precisamos de uma outra etapa de investimento”. E, para já, considera que apesar de irem aparecendo projetos “o investimento como um todo está em baixo”. Considera que deveriam surgir mais, sobretudo industriais.

O desafio da digitalização

O caderno de encargos da banca para a próxima década não se resume ao financiamento das empresas, mas também à adaptação ao novo contexto do setor que se abriu às fintechs e que vive uma revolução digital. O ministro adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, recomendou à banca que invista “naqueles que são os disruptores futuros para tentar adquirir conhecimento e tecnologia”.

Para responder a esse desafio, Miguel Maya defende que “o grande risco é morrermos com uma congestão de iniciativas sem fazer as escolhas estratégicas certas”. E aponta que a principal prioridade é “ter a capacidade de trazer pessoas para a indústria”. Também António Ramalho diz que é preciso cautela. “Se o Facebook tivesse uma falha como teve… no dia seguinte poderia operar?”, questionou sobre a possibilidade da rede social poder prestar serviços financeiros. E recomendou que se tenha calma “até se perceber onde vamos chegar com este modelo”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Estação_Santa_Apolónia (800x600)

Sonae Capital investe 12 milhões para construir hotel em Santa Apolónia

Fotografia:  REUTERS/Arnd Wiegmann

Davos. Confiança dos CEO mundiais em queda abruta

Vistas de Lisboa.
(Leonardo Negr‹ão / Global Imagens)

Venda de casas em Lisboa bateu recorde histórico em 2018

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Como a banca se está a preparar para 2030