Como o Banif está a negociar o despedimento de 300 pessoas

Jorge Tomé, presidente do Banif
Jorge Tomé, presidente do Banif

Uma semana depois de 300 trabalhadores do Banif – incluindo diretores, administrativos e bancários de agências – terem sido contactados pelo banco liderado por Jorge Tomé para negociarem a rescisão dos seus contratos, ontem, alguns funcionários voltaram a ser chamados para darem uma resposta final.

Nas reuniões não estiveram presentes quadros do banco. O Banif fez-se representar através de “uma consultora” que “apresentou as condições anunciadas na primeira reunião, na semana passada, mas apenas as referentes à percentagem salarial”, adiantou um funcionário do banco ao Dinheiro Vivo.

Na reunião não foram negociadas quaisquer novas condições, uma vez que “o contrato de rescisão de trabalho por mútuo acordo já vinha assinado pelo banco”. Mas algumas das condições que foram faladas na primeira reunião, nomeadamente a manutenção “do empréstimo bonificado, compra de carro, etc.”, não estavam contempladas, adiantou o trabalhador. O Dinheiro Vivo sabe que os cortes serão feitos através de rescisões amigáveis e de algumas reformas antecipadas e que o Banif pretende que o processo esteja resolvido no prazo de três meses.

A instituição financeira liderada por Jorge Tomé já tinha adiantado ao Dinheiro Vivo que as indemnizações propostas serão “superiores ao previsto na lei, um esforço para chegar a acordo rapidamente e uma preocupação especial para com as pessoas com baixos salários”.

Uma situação confirmada por Rui Riso, o presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, que diz que as “condições propostas preveem uma contrapartida superior à prevista por lei”. Além disso, o responsável salientou que o Banif propõe a manutenção das condições mais favoráveis de crédito à habitação por alguns anos, linhas de crédito especiais para quem decida avançar com projetos próprios, bem como ações de formação.

“As condições agradam a alguns trabalhadores e a outros não. Temos sido contactados por alguns trabalhadores para prestar apoio jurídico, que é o que podemos fazer, já que o sindicato fica de fora em situações de rescisão por mútuo acordo”, frisou Rui Riso.

Pelo facto de o processo ainda estar a decorrer não foi possível fazer um balanço da resposta dos funcionários, e o Banif não quis fazer qualquer comentários sobre o processo de rescisões.

Atualmente, o grupo Banif emprega cerca de 4500 trabalhadores, estando mais de 2500 afetados ao banco.

Com esta operação, o Banif pretende adequar a estrutura à situação atual do mercado, mas sobretudo preparar o banco para o processo de recapitalização, através do recurso à ajuda do Estado, num montante de cerca de 500 milhões de euros.

Menos 2000 trabalhadores desde o início da crise

Há cinco anos, em pleno verão de 2007, nos Estados Unidos “rebentava” a crise do crédito hipotecário de alto risco (conhecido como subprime), que haveria de estender-se até à Europa e marcar o início de um novo ciclo da banca a nível mundial.

Com as perdas resultantes da crise de subprime e, mais recentemente, da dívida europeia, a banca viu–se forçada a ajustar as suas estruturas, o que se traduziu em despedimentos e fecho de balcões.Portugal não foi exceção. Só este ano, os bancos já reduziram mais de 600 postos de trabalho. No entanto, o processo de despedimento e redução de balcões iniciou-se exatamente há cinco anos.

Contas feitas, e desde o início da crise, em Portugal já foram mais de dois mil os colaboradores que foram dispensados, quer por via de rescisão de contratos quer através das menos mediáticas pré-reformas.Entre os cinco principais grupos bancários a operar em Portugal, o BPI foi a instituição que reduziu mais o número de trabalhadores.

De acordo com os relatórios e contas do banco liderado por Fernando Ulrich, no final de 2007 o número de trabalhadores na atividade doméstica ascendia a 7817. Já no final do ano passado o número de trabalhadores era de 6846, ou seja, menos 971 funcionários, o que representa uma redução de 12%.

No mesmo período, o BCP reduziu 862 postos de trabalho, ou seja, um corte de 8%, enquanto a Caixa Geral de Depósitos reduziu em 2% o número de colaboradores, a mesma proporção do Santander Totta.

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