BES

Costa defende que processo BES é o mais penalizador para confiança em Portugal

Fotografia: Fernando Fontes/Global Imagens
Fotografia: Fernando Fontes/Global Imagens

O primeiro-ministro desvalorizou que o tipo de maioria parlamentar que suporta o seu Governo seja um factor penalizador para a confiança em Portugal.

O primeiro-ministro afirmou hoje que fatores negativos para a confiança no investimento em Portugal residem mais nas decisões sobre o processo BES (Banco Espírito Santo) do que no tipo de maioria parlamentar que suporta o seu Governo.

Posições assumidas por António Costa perante uma plateia de empresários da Câmara do Comércio, num discurso em que defendeu que o principal erro do programa de ajustamento de Portugal foi não ter começado pelo “saneamento” do sistema financeiro nacional, tal como ocorreu em Espanha e na Irlanda.

Na sequência de uma crítica do empresário Peter Villax ao facto de este Governo ser apoiado por dois partidos contrários à iniciativa privada, o PCP e o Bloco de Esquerda, o primeiro-ministro contrapôs: “Grande parte da menor confiança que, por vezes, os mercados externos sentem em investir em Portugal tem menos a ver com a composição do Governo, mas mais com a forma como têm sido transferidas do banco bom para o mau um conjunto de aplicações financeiras do BES”, defendeu.

Em relação ao programa de ajustamento, António Costa considerou que “o principal erro foi não ter começado, tal comos espanhóis e os irlandeses, pelo saneamento do sistema financeiro.

“Hoje, um dos grandes bloqueios ao relançamento da economia assenta aí”, defendeu, antes de elogiar o antigo ministro da Ciência Mariano Gago, em contraponto a anteriores titulares de pastas da Economia em anteriores executivos.

“O problema é que porventura nunca tivemos um ministro da Economia que tivesse feito na economia aquilo que Mariano Gago fez na Ciência. Não tivemos uma evolução do nível de contratação nas empresas que acompanhasse o ritmo com que foram produzidos os recursos humanos”, justificou.

Neste ponto, António Costa adiantou que, durante as duas próximas semanas, num esforço para aumentar o grau de internacionalização da economia portuguesa, irá reunir-se primeiro com grandes empresas exportadoras e depois com os principais setores exportadores.

“Queremos ver como em conjunto Estado e empresas para fomentar a abertura de novos mercados”, disse.

Perante dúvidas sobre o atual quadro macroeconómico do país, o primeiro-ministro insistiu na tese de que todas as instituições internacionais preveem um défice em 2016 abaixo dos três por cento.

“Face aos dados da execução orçamental, já com quase cinco meses de aplicação, estamos em linha com os objetivos fixados pelo Governo, porque a despesa corrente está abaixo do orçamentado, a despesa com pessoal também abaixo do orçamentado – isto tendo em conta que as despesas de pessoal e sociais são relativas a 1 de janeiro” e não apenas à data da entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2016, defendeu.

Do ponto de vista da receita, o primeiro-ministro também se mostrou satisfeito com o comportamento relativamente ao IVA, IRS e IRC.

Em termos de conjunto da execução orçamental, o líder do executivo sustentou por isso que “há uma folga relativa” face às previsões da Comissão Europeia.

 

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