Imobiliário

Crédito à habitação cresceu quatro vezes em cinco anos

Fotografia: Reuters//Neil Hall
Fotografia: Reuters//Neil Hall

Os portugueses estão a comprar mais casas animados pelos sinais de retoma da economia e pela taxas de juro baixas.

Os bancos, passada a crise financeira, estão de novo a abrir a torneira do crédito à habitação. Os empréstimos para compra de casa somaram, no ano passado, 8259 milhões de euros, um crescimento de 327% em relação em 2012, quando bateu um mínimo de 1935 milhões, na ressaca da austeridade imposta pela troika.

O crédito multiplicou quatro vezes em apenas cinco anos e atingiu o valor mais alto desde 2010. Esta subida explica-se pela recuperação da economia e do emprego, pela baixas taxas de juro e pela valorização dos imóveis, muito à custa da procura de estrangeiros, à boleia do turismo e dos vistos Gold.

No mesmo período, o crédito ao consumo subiu 110%; os empréstimos às empresas caíram 36,7%, de acordo com o Gabinete de Estratégia e Estudos, do Ministério da Economia.

“É preciso desmistificar” estes dados. Em 2012 tínhamos um país intervencionado, não havia crédito”, explica Luís Lima, presidente da APEMIP, a associação das empresas de mediação imobiliária. O volume dos empréstimos para a compra de habitação “não significa uma recuperação”, na medida em que os montantes emprestados estão ainda muito longe dos valores anteriores à crise. “Está-se a partir de uma base muito baixa”, sublinhou. Em 2007, a banca emprestou 19 630 milhões de euros para a compra de casa.

E não vê qualquer sinal para alarmismos, nem o perigo de uma bolha imobiliária. “O crédito que se está a conceder hoje não é crédito fácil”, atualmente os bancos “já não emprestam 100% do valor da casa, as avaliações são restritivas, os compradores têm que ter 20% a 30% do montante para o sinal”. Luís Lima admite que haja “o receio que se cometa os erros do passado”, mas “os bancos estão a cumprir todos os requisitos”.

O Banco de Portugal tem-se mostrado preocupado com o ritmo acelerado da nova concessão de crédito, alertando para o risco de algum facilitismo pelos bancos. A instituição liderada por Carlos Costa chamou já a atenção para os efeitos negativos do elevado endividamento dos particulares, sobretudo num contexto em que os juros venham a aumentar. Teme um agravamento do malparado.

O aumento do crédito concedido, e a subida dos preços na avaliação bancária, que em dezembro atingiu 1150 euros o metro quadrado, o valor mais alto desde junho de 2011, está, na verdade, a provocar um agravamento do capital em dívida – no fim do ano passado, os portugueses deviam, em média, aos bancos 51 690 euros de crédito à habitação; em abril de 2017, o valor em dívida tinha registado um mínimo de 51 512 euros. O crescimento dos empréstimos justifica-se tanto pelo aumento do número de operações, como do valor de cada empréstimo, diz o GEE.

Luís de Lima considera que é a classe média que está por detrás do aumento da procura de crédito, uma vez que os portugueses não têm outra alternativa que não seja a compra de casa própria. O mercado do arrendamento é muito limitado e os preços não são sustentáveis. E lembra que os estrangeiros não compram com recurso a crédito. “Os investimentos estrangeiros têm por base capitais próprios”.

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