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Crédito Agrícola pagava 2 mil euros à mulher do CEO

Licínio Pina, Presidente do Crédito Agrícola Mútuo.
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
Licínio Pina, Presidente do Crédito Agrícola Mútuo. (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Pagamento começou em 2016 para compensar a mulher de Licínio Pina por ter prescindido da sua carreira de professora para dar apoio ao marido.

O Crédito Agrícola (CA) decidiu acabar com o pagamento de uma subvenção mensal à mulher do presidente do Grupo, que era justificada com a necessidade de dar “estabilidade emocional” a Licínio Pina.

O pagamento da subvenção à mulher do CEO do Crédito Agrícola, alegadamente num valor mensal de cerca de 2000 euros, foi decidido para compensar a mulher de Licínio Pina por ter prescindido da sua carreira de professora para dar apoio ao marido, segundo explicou o próprio Licínio Pina numa carta datada de agosto de 2018.

“A minha esposa é há mais de 36 anos o meu fator de equilíbrio e sempre me ajudou. Quando aceitei este desafio, coloquei como condição tê-la ao meu lado”, escreveu o presidente do CA. “Para o exercício das minhas funções e responsabilidades, necessito de disponibilidade total e, acima de tudo, estabilidade emocional”, justificou.

A carta foi escrita em resposta a uma carta anónima que circulou no grupo. O caso gerou polémica e levou o Banco de Portugal a pedir explicações sobre o pagamento à mulher de Licínio Pina e também em relação a outras situações denunciadas de forma anónima.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo e à TSF, em novembro deste ano, questionado sobre o pagamento de uma subvenção à sua mulher, Licínio Pina afirmou que “não aconteceu nada”. “Isso não existe. Foi em cartas anónimas que foi levantada. A minha mulher é professora, não tem [relação com o CA]”, afirmou. Após a entrevista, questionado pelo Dinheiro Vivo sobre a carta que escreveu acerca do tema, Licínio Pina respondeu através de fonte oficial do grupo. “A afirmação feita durante a entrevista tem que ver com a situação atual, onde não existe nenhuma ligação da esposa ou de qualquer outro familiar do engenheiro Licínio Pina ao CA.”

A mesma fonte adiantou que “a carta referida na questão colocada deve ser uma carta divulgada para as Caixas Agrícolas na sequência de denúncias anónimas e reportadas ao mandato de 2016-2018. O mandato atual de 2019-2021 está devidamente autorizado pelas autoridades reguladoras sem qualquer observação efetuada à equipa do conselho de administração executivo da Caixa Central e do CA”, frisou.

O Grupo CA escusou-se a indicar a partir de que data é que o pagamento deixou de ser feito. Também não confirma nem desmente o valor da subvenção que era paga. Segundo justificou Licínio Pina, na sua carta, o pagamento tinha sido decidido pelo “próprio Conselho Geral e de Supervisão, que, em fevereiro de 2016, encontrou uma solução que é subtraída da minha remuneração bruta, não acrescentando custo adicional”.

O Grupo CA escusou-se a indicar se respondeu e que tipo de respostas deu às questões colocadas pelo Banco de Portugal sobre a matéria. Entre as alegadas dúvidas colocadas ao grupo pelo supervisor, estaria a questão sobre a forma como tinha sido contratada a mulher de Licínio Pina, que cargo estava a exercer e quais as funções que lhe estavam atribuídas. Estas e outras questões continuam sem ter uma resposta, pelo menos junto dos trabalhadores do Grupo CA.

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