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Crédito imparável apesar de alertas do Banco de Portugal

( Gustavo Bom / Global Imagens )
( Gustavo Bom / Global Imagens )

Só para comprar casa os portugueses pediram emprestado 2351 milhões de euros nos primeiros três meses de 2019. São mais 165 milhões do que há um ano.

Os bancos voltaram a abrir os cordões ao crédito e, apesar dos alertas do Banco de Portugal, o ano promete ser o mais forte da última década em empréstimos concedidos aos particulares. Ao todo, as famílias portuguesas contraíram créditos de 3931 milhões de euros desde o início deste ano. Um aumento de 4,4% em relação aos primeiros três meses de 2018 e o valor mais alto desde 2010, quando os empréstimos concedidos a particulares somaram 4383 milhões de euros.

Só para comprar casa, os portugueses endividaram-se em 2351 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano. São mais 165 milhões do que há um ano (+7,5%). A somar aos mais de 1000 milhões de euros que os bancos emprestaram para consumo e aos 488 milhões para outros fins.

O aumento do novo crédito concedido acontece numa altura em que as taxas de juro médias estão a baixar e se assiste a uma guerra de spreads entre a banca. “Nas novas operações de crédito a particulares para habitação, a taxa de juro média diminuiu 1 ponto base (pb), atingindo 1,36%. No crédito ao consumo e para outros fins, as taxas de juro médias foram, respetivamente, de 7,13% e 3,62%”, adiantou o Banco de Portugal.

O agravamento do crédito verifica-se apesar de, desde julho de 2018, estarem em vigor recomendações do Banco de Portugal para que os bancos apertem as condições de concessão de crédito à habitação e ao consumo para evitar um novo boom de malparado quando as taxas de juro começarem a subir.

Medidas ineficazes

“Os bancos voltaram a apostar no crédito, em paralelo com o dinamismo no mercado imobiliário, o que tem levado a uma descida dos spreads e a uma maior concessão de crédito”, explicou Nuno Rico, economista da Deco, ao Dinheiro Vivo.”Esta atitude por parte da banca é visível no aumento da publicidade aos produtos de crédito e a uma maior disponibilidade para conceder novos financiamentos”, destacou. Por exemplo, “no crédito ao consumo, os bancos voltaram a aliciar os clientes com créditos pré-aprovados, prática muito comum nos anos pré-crise”.

Para o economista, “outra das conclusões que estes números permitem tirar é de que as recomendações emanadas pelo Banco de Portugal, que entraram em vigor há quase um ano, não se têm revelado muito eficazes no que respeita à limitação na concessão de crédito, uma vez que não se diferenciaram daquilo que já era prática regular das instituições de crédito, havendo até algumas limitações mais permissivas do que as praticadas pela banca na altura”.

O economista da Deco alertou que “para a necessidade de uma análise cuidada, por parte do consumidor, antes de contratar um crédito, para evitar a repetição dos erros do passado, nomeadamente as situações de dificuldades das famílias portuguesas, numa eventual subida futura das taxas de juro ou deterioração da situação económica.”

Banco de Portugal atento

“O Banco de Portugal continuará a monitorizar a implementação da recomendação pelas instituições abrangidas por esta medida macroprudencial de forma a prevenir potenciais distorções de concorrência ou ações que ponham em causa a eficácia da recomendação”, defende fonte oficial do supervisor bancário.

Para o regulador da banca, “a medida adotada não visa atenuar o crescimento global do crédito, mas apenas limitar o acesso ao crédito dos mutuários com um perfil de risco mais elevado”.

O Banco de Portugal afasta a ideia que o mercado de crédito esteja a aquecer. Segundo a mesma fonte, desde a segunda metade de 2018 que se tem registado um abrandamento nos novos créditos à habitação. “No primeiro trimestre de 2019 face ao período homólogo, a taxa de variação do fluxo mensal acumulado de novas operações foi de 7,5%, o que compara com cerca de 28% em junho de 2018, face a junho de 2017. E no crédito ao consumo têm-se registado “taxas de crescimento em termos homólogos virtualmente nulas entre setembro de 2018 e o primeiro trimestre de 2019, verificando-se este abrandamento quer no crédito automóvel, quer no crédito pessoal”.

“Temos vindo a desenvolver um conjunto muito intenso e regular de contactos com as instituições mais representativas do mercado português de forma a assegurar a implementação da recomendação e monitorizar os seus resultados. E, de uma forma geral, parece ter originado melhorias na avaliação de solvabilidade dos mutuários pelas instituições”.

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