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Crise tira 220 milhões aos lucros dos bancos

Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP. Fotografia:  JOÃO RELVAS/LUSA
Miguel Maya, presidente executivo do Millennium BCP. Fotografia: JOÃO RELVAS/LUSA

Quatro dos maiores bancos em Portugal já sentiram os efeitos da crise nas contas do primeiro trimestre.

São menos 2,4 milhões de euros de lucros que quatro dos maiores bancos em Portugal perderam por dia nos primeiros três meses deste ano devido à crise. O confinamento forçado da população e o fecho do comércio e serviços paralisou grande parte da atividade económica. O desemprego disparou e empresas fecharam portas, algumas definitivamente.

Os bancos foram obrigados a prevenir nas suas contas os impactos esperados no futuro, incluindo os relacionados com as moratórias nos contratos de crédito de famílias e de empresas.

No total, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Millennium bcp, o Santander Portugal e o Banco BPI registaram menos 220 milhões de lucros no primeiro trimestre deste ano, comparando com igual período do ano passado. Estes bancos tiveram de contabilizar provisões na ordem dos 200 milhões de euros no trimestre.

“Provavelmente alguns bancos regressarão os prejuízos trimestrais e mesmo anuais, dependendo da evolução da recuperação económica e do nível de incumprimentos”, disse Pedro Lino, economista da Dif Broker e da Optimize. Frisou que “as moratórias podem atrasar alguns incumprimentos, mas no fim tudo se resume à recuperação a economia e se existe capacidade das empresas terem rentabilidade para pagarem os empréstimos”.

“Teremos certamente um ano pela frente muito complicado até ao primeiro semestre de 2021, pelo menos”, apontou.

O BCP foi o que mais lucro perdeu. O banco liderado por Miguel Maya, anunciou uma quebra de 77% no seu lucro líquido entre janeiro e março deste ano. Registou um resultado líquido de 35,3 milhões de euros, menos 118,5 milhões de euros do que o lucro obtido no período homólogo de 2019. O BCP registou provisões de 78,8 milhões de euros para acomodar futuros impactos da crise.

“Consideramos que são as provisões adequadas numa perspetiva prudente”, disse Miguel Maya, presidente executivo do banco, na conferência de imprensa para apresentar as contas trimestrais, também transmitida online. “Estamos preparados para um período de maior turbulência”, disse.

O BPI, do espanhol Caixabank, lucrou menos 42,9 milhões de euros, tendo o lucro caído 87% para 6,3 milhões de euros. O banco contabilizou 32 milhões de euros de imparidades no crédito.

A CGD teve uma quebra de 40 milhões de euros no seu lucro, que se situou em 86 milhões de euros no final de março deste ano.

Quanto ao Santander, lucrou 118,9 milhões de euros, menos 18,4 milhões de euros do resultado obtido no primeiro trimestre do ano passado. O banco liderado por Pedro Castro e Almeida reforçou as suas provisões em 30 milhões de euros.

A crise começou a ser mais sentida em março, com a declaração do estado de emergência em Portugal. Vigorou até ao dia 2 de maio. Os resultados do segundo trimestre dos bancos deverão incluir mais impactos da crise. “Sim, é natural que os bancos iniciem uma avaliação profunda dos impactos da pandemia no seu modelo de negócio, que se traduz na constituição de provisões que irão aumentar substancialmente nos próximos trimestres”, afirmou Pedro Lino. “Mesmo assim os resultados deste primeiro trimestre apenas refletem meio mês de confinamento e mais de dois meses de atividade ainda normal. O pior está para vir e ser refletido nas contas das instituições”, avisou.

Ações sob pressão

Para o BCP, que está cotado em bolsa, a crise tem levado as suas ações a descer a mínimos históricos. Ontem, as ações fecharam a cair 1,82% para 9,17 cêntimos de euro, o que coloca o valor do banco em bolsa em 1.386 milhões de euros. Desde o início de 2020, caiu 54% em bolsa.

Miguel Maya lembrou que “em Portugal não esteve proibido o short selling (venda a descoberto)” ao contrário do que aconteceu noutros países europeus. Explicou que esse fator colocou o BCP na mira dos especuladores. “Uma coisa é o valor intrínseco do banco (…), outra coisa é (…) um conjunto de fatores que tem a ver com o risco do próprio pais” e que criam condições para que “o titulo do BCP seja muito apetecível para movimentos não suportados pelos fundamentais do banco”.

Ações sob pressão

Para o BCP, que está cotado em bolsa, a crise tem levado as suas ações a descer a mínimos históricos. Ontem, as ações fecharam a cair 1,82% para 9,17 cêntimos de euro, o que coloca o valor do banco em bolsa em 1.386 milhões de euros. Desde o início de 2020, caiu 54% em bolsa.

Miguel Maya lembrou que “em Portugal não esteve proibido o short selling (venda a descoberto)” ao contrário do que aconteceu noutros países europeus. Explicou que esse fator colocou o BCP na mira dos especuladores. “Uma coisa é o valor intrínseco do banco (…), outra coisa é (…) um conjunto de fatores que tem a ver com o risco do próprio pais” e que criam condições para que “o titulo do BCP seja muito apetecível para movimentos não suportados pelos fundamentais do banco”.

Segundo Pedro Lino, “a evolução do BCP é igual à dos outros bancos europeus: desastrosa”. Adiantou que, “infelizmente, já quase não temos mercado de capitais em Portugal e o último banco cotado não consegue, por força da conjuntura interna e externa, impor-se em termos de resultados aos seus acionistas”. “Tem sido um desastre investir em banca nacional e europeia e continuará a sê-lo. Um dia chegaremos à conclusão que (Mario) Draghi (ex-presidente do Banco Central Europeu) a tentar salvar o euro, colocando as taxas de juro negativas, conseguiu destruir todo o sistema financeiro europeu e em particular o português”, concluiu.

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