CGD

Custos com reestruturação levam CGD a prejuízos

Fotografia: António Cotrim/Lusa
Fotografia: António Cotrim/Lusa

Prejuízos no primeiro trimestre foram de 38,6 milhões. Paulo Macedo admite subida no preço das comissões

O programa de rescisões e pré-reformas lançado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) no âmbito do plano de reestruturação acordado com Bruxelas levou o banco público a prejuízos de 38,6 milhões de euros no primeiro trimestre, uma melhoria face às perdas de 74,2 milhões no mesmo período de 2016.

A CGD tem de reduzir cerca de 2.200 trabalhadores até 2020, a um ritmo de 500 ou 600 por ano e encerrar agências (ver caixa), mas o presidente do banco, Paulo Macedo, garantiu que, apesar dos “vários contactos recebidos para saídas no primeiro semestre e no segundo semestre, ainda não há números definidos”. Os custos com o programa, contudo, pesam nas contas, com um impacto não recorrente de 58 milhões de euros. Excluindo este efeito o banco teria tido lucros de 3,5 milhões de euros.

No que diz respeito ao plano de reestruturação, a CGD fechou o primeiro trimestre, face ao homólogo, com menos 16 agências bancárias em Portugal (para um total de 716) e menos 225 trabalhadores, empregado 8145 pessoas no país no final do trimestre.

Resultados positivos, contudo, só em 2018, como antecipou Paulo Macedo. Ainda assim, questionado sobre se espera apresentar lucro em algum dos próximos trimestres, o presidente da CGD frisou que “é indispensável que a Caixa gere lucros. Contamos que a atividade corrente seja positiva já este ano”.
Paulo Macedo quis sinalizar os 100 dias de atividade de 2017, referindo que o que marca esse período é a “recapitalização da CGD e a conclusão da aprovação do acordo entre o estado português e a União Europeia que possibilitou esta capitalização”, “dois fatores decisivos na história da CGD”.

Questionado sobre o ponto de situação de outros aspetos do plano de reestruturação, como a venda de operações internacionais, Paulo Macedo afirmou apenas que “os processos estão a decorrer”. Já no que diz respeito ao aumento das comissões, o presidente da CGD frisou que “a Caixa não vai ser o banco com as comissões mais elevadas mas vai ter de comissionar os seus serviços. Os serviços bancários têm valor e têm de ter um preço”. No plano estratégico estão previstos 100 milhões de euros de comissões nos próximos quatro anos. Ainda assim, registaram no trimestre uma redução de 3,7%, para 108,7 milhões de euros.

A conclusão das duas primeiras fases do plano de recapitalização, no valor de 4,4 mil milhões de euros, permitiu reforçar os rácios do banco para 12,3 e 14,2%, valores que comparam com os 10,4% em termos transitórios (CET1 phased-in) e de 9,6% em termos completos (CET1 fully implemented). A margem financeira cresceu 18,4% para 326 milhões de euros, com o produto bancário a aumentar 65%, para 490 milhões.

O banco destaca ainda a “evolução favorável” dos depósitos de clientes, que aumentaram em mais de mil milhões (uma quota de mercado de 28%) e levaram os recursos totais de clientes a subir 1,6% face ao homólogo. Assim, o rácio de transformação fixou-se em 88,1%. A CGD, contudo, voltou a aumentar o nível de imparidades reconhecidas, de 84 milhões para 113 milhões.

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