Detetadas irregularidades na holding que controla Grupo Espírito Santo

Ricardo Salgado, presidente do BES
Ricardo Salgado, presidente do BES

A auditoria feita pelo Banco de Portugal às contas da Espírito Santo Internacional (ESI) detetou "irregularidades" nas contas da holding que controla o Grupo Espírito Santo (GES). No prospeto do aumento de capital publicado na CMVM, o BES admite que estas irregularidades poderão ter um impacto reputacional na instituição liderada por Ricardo Salgado, bem como no preço das ações.

“A Espírito Santo Internacional (ESI) foi
objeto de uma revisão limitada de finalidade especial, relativamente
às demonstrações financeiras consolidadas pró-forma referentes a
30 de setembro de 2013 e 31 de dezembro de 2013, efetuada por um
auditor externo, que apurou irregularidades nas suas contas e conclui
que a sociedade apresenta uma situação grave”, revela o
documento. A somar a isto, a própria Comissão de Auditoria do
Espírito Santo Financial Group (ESFG) identificou ainda
“irregularidades materialmente relevantes” nas contas da ESI.

Deste modo, o banco admite que “um
agravamento da respetiva situação financeira bem como as
irregularidades detetadas nas suas contas e as eventuais
consequências daí resultantes podem afetar a reputação do BES e a
cotação das suas ações”. No entanto, o BES salienta que “não
é responsável pela situação financeira da ESI e que o ESFG
implementou medidas para salvaguardar eventuais situações de
incumprimento por parte da ESI que possam ter impacto no BES”. No
final do ano passado, o ESFG foi obrigado a constituir uma provisão
de 700 milhões de euros para cobrir o risco de não pagamento de
papel comercial de empresas do grupo que tinha sido vendido pela rede
de retalho.

No prospeto do aumento de capital, o BES revela
ainda as ações judiciais e arbitrais que teve e está a enfrentar.
Além do processo judicial que tem nos Estados Unidos, o banco
liderado por Ricardo Salgado espera que a investigação da
Autoridade da Concorrência fique concluída ainda este ano.

Nos Estados Unidos foi apresentada uma ação
judicial no tribunal de insolvência da Florida contra o Espírito
Santo Bank pelo Banco Santos. O litígio, no qual são reclamados
38,7 milhões de euros a título de perdas e danos, tem por objeto
“um alegado conluio e participação do Espírito Santo Bank em
atividades ilícitas praticadas por membros da gestão do Banco
Santos, incluindo fraude e violação de regras de prevenção de
branqueamento de capitais”. O Espírito Santo Bank apresentou a sua
defesa e pediu a extinção do processo. A decisão será conhecida
no próximo dia 9 de junho.

Quanto à investigação da Autoridade da
Concorrência em Portugal sobre a suposta cartelização nos mercados
do crédito à habitação, o BES revela que o processo “encontra-se
na fase de inquérito” e espera a sua “conclusão durante o
corrente ano”.

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