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Deutsche Bank. Uma andorinha não faz a primavera

Banco surpreendeu ao apresentar lucros no terceiro trimestres mas reação dos mercados foi fria, com título a subir ligeiramente. Riscos permanecem

O Deutsche Bank (DB) comunicou ontem ter registado um lucro de 256 milhões de euros no terceiro trimestre do ano, elevando o resultado líquido total para 488 milhões entre janeiro e setembro. O aumento da venda de obrigações, assim como o reconhecimento de ganhos com a seguradora Abbey Life, em processo de venda que resultará em perdas para o banco alemão, justificaram em grande medida os resultados.

Mas os números ontem conhecidos, mesmo tendo sido positivos e de terem superado as expectativas dos analistas, não deixaram de ser recebidos com alguma frieza pelos mercados: as ações do DB subiram 0,6%, menos que no dia anterior, por exemplo.

É que se estes resultados trimestrais podem ajudar a melhorar a perceção pública face às fragilidades que vão sendo apontadas ao banco, estas fragilidades não deixaram de existir. E o CEO do banco, John Cryan, sabe disso, tendo por isso prometido ontem redobrar os esforços de reestruturação da instituição, em conversa com analistas sobre os resultados trimestrais.

No final do terceiro trimestre, o rácio de custos / receitas do DB continuou acima das médias do setor tanto na Europa como nos Estados Unidos, nos 87,4%, e os rácios de solvabilidade continuaram abaixo dos que existiam em setembro de 2015: o rácio de capital Tier 1 provisório fixou-se em 12,6% contra 13,4% um ano antes, e o capital Tier 1 total nos 11,1% contra 11,5% em setembro de 2015. Além disso, o banco, que no final do ano estava avaliado em 31,1 mil milhões pelos mercados, hoje não supera os 18,4 mil milhões.

E uma das grandes ameaças aos rácios do DB continua a pender sobre o banco: a multa de 14 mil milhões de dólares – 12,9 mil milhões de euros – imposta pelas autoridades norte-americanas que, ao que tudo indica, só será negociada após as eleições norte-americanas.

“É sempre bom ter resultados que surpreendem” os analistas, “mas do ponto de vista da insuficiência de capital do banco” de pouco ou nada valem os lucros ontem ; reportados, comenta João Pereira Leite, diretor de investimento do Banco Carregosa. “A solução terá que passar por um aumento de capital”, aponta.

Uma das principais razões que permitiu ao Deutsche atingir os lucros no trimestre foi o aumento em 14% das receitas na divisão de venda de obrigações, para 2,1 mil milhões de euros. Este salto permitiu ultrapassar as receitas do terceiro trimestre de 2015 mas, no total do ano, estas continuam bem aquém de 2015.

Entre janeiro e setembro de 2016, o DB encaixou 22,9 mil milhões, menos 15% que os 26,8 mil milhões no mesmo período de 2015 ; – isto enquanto os custos recuaram apenas mil milhões.

E nem o salto de 14% nas vendas de obrigações no trimestre foi aplaudido pelos analistas, que lembraram de imediato que as subidas na negociação destes títulos são uma tendência global e que vários bancos estão a reportar aumentos superiores, que chegam a 49% nos Estados Unidos ou a 40% no caso do Barclays.

“Era óbvio que as condições de mercado no trimestre iam puxar por todos os ‘players’, mesmo aqueles que não estão em grande forma, como o Deutsche Bank”, sintetizaram os analistas da Kepler Cheuvreux, citados pela “Reuters”.

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