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Dívida perpétua da CGD custa 50 milhões por ano

O presidente da da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo (2E),fala aos jornalistas durante a conferência de imprensa para   apresentação  dos resultados do exercício de 2016 e  ponto de situação sobre o plano de recapitalização da Caixa, Lisboa, 10 de março de 2017. ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O presidente da da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo (2E),fala aos jornalistas durante a conferência de imprensa para apresentação dos resultados do exercício de 2016 e ponto de situação sobre o plano de recapitalização da Caixa, Lisboa, 10 de março de 2017. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Banco vai pagar juros de 10,75% pela emissão de 500 milhões em obrigações subordinadas

A emissão de dívida perpétua da Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai custar cerca de 50 milhões de euros por ano em juros e o valor subirá para 100 milhões de euros em 2018.

O banco público colocou 500 milhões de euros de obrigações altamente subordinadas junto de investidores institucionais, com um juro de 10,75% (abaixo dos 11% a 11,5% dados como referência antes da emissão estar fechada) e mais de metade subscrita no Reino Unido, embora os investidores portugueses tenham captado 14% da emissão, segundo os dados divulgados. Falta ainda a injeção de capital de 2,5 mil milhões de euros, a realizar ainda este mês, e uma nova emissão de 430 milhões de euros, a concretizar em 18 meses.

Feitas as contas, a emissão custará mais do que 50 milhões de euros por ano, um valor que aumentará para 100 milhões de euros quando avançar a segunda emissão, diz ao Dinheiro Vivo Diogo Teixeira, da Optimize. “Este nível elevado de juros só é sustentável por se aplicar a uma pequena parte dos fundos da CGD”, avisa, frisando contudo que este é um valor “perfeitamente comportável para uma instituição como a Caixa”, sobretudo devido ao elevado risco da dívida perpétua e ao facto de nenhum banco nacional ter realizado uma operação semelhante.

“Este valor pode ser considerado como se de um dividendo prioritário se tratasse: o Estado abdica de uma parte, ou da totalidade, do seu dividendo em contrapartida de continuar a controlar o banco a 100%. É o preço a pagar para a Caixa ser mantida exclusivamente dentro do universo do Estado”, conclui Diogo Teixeira.

Já Filipe Garcia, economista da IMF, lembra que “o juro tem de ser compreendido tendo em conta as especificidades da operação”: dívida perpétua subordinada, com risco elevado e que “induz incerteza” aos investidores, uma vez que “se a situação de capital da CGD se deteriorar muito a dívida poderá ver o seu valor nominal reduzir-se consideravelmente”.

Apesar do valor acima dos 10%, a referência dada pelo Governo quando anunciou a operação, o Executivo mostrou-se satisfeito. O secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo, defendeu que o banco público conseguiu uma “taxa melhor” do que o Banco Popular de Espanha. “Foi de facto nos 10,75% mas este valor é inferior aos 12% que o Banco Popular de Espanha, que tem um `rating´ melhor que a CGD, conseguiu, e essa é que é verdadeiramente a comparação que devemos fazer”, frisou, perante as críticas do PSD e do CDS relativamente aos valores da emissão.

Pedro Passos Coelho, líder do PSD e ex-primeiro-ministro, considerou que o país vai pagar “um preço elevadíssimo” pela emissão obrigacionista, acusando o Primeiro-Ministro de querer “passar a culpa” para o anterior Governo. Também o CDS criticou os juros elevados, com João Almeida a dizer que a emissão vai “agravar os resultados da CGD, reduzir a receita do Estado e dar rendas a fundos privados internacionais, coisa que não acontecia no passado”.

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