CGD

Domingues e Centeno. Uma semana de telefonemas e SMS

JOÃO RELVAS/LUSA
JOÃO RELVAS/LUSA

Domingues garante que tinha disponibilidade para continuar na CGD mas que não foi encontrada uma solução jurídica para a sua renúncia.

O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues, explicou hoje aos deputados que “o ministério não apresentou solução” para a sua permanência à frente do banco público até que chegasse a equipa de Paulo Macedo e mostrou-se agastado com a informação que foi veiculada nos jornais sobre a sua saída.

Domingues tinha apresentado a renúncia com efeitos a partir de 31 de dezembro e não foram encontrados instrumentos jurídicos para que fosse feita a renúncia da renúncia. A partir de dia 27, seguiu-se uma troca de SMS e telefonemas com o ministro das Finanças, Mário Centeno.

Questionado pelos deputados na comissão de Orçamento sobre as notícias que vieram a público dizendo primeiro que ia ficar à frente da CGD até vir a nova equipa e a troca de SMS com o ministro das Finanças, Mário Centeno, Domingues explicou a evolução dos últimos dias.

“Apresentei a renúncia no final de novembro com efeito no máximo a 31 de dezembro”, começa por explicar. “Em dezembro tive conversas frequentes com o ministro das Finanças” mas o antigo presidente da Caixa explicou que nessa altura não tinha ainda sido pedido que continuasse à frente do banco por mais uns dias. “Não me foi pedido rigorosamente nada”.

Domingues saiu da CGD a 23 de dezembro, porque “dava-me jeito ter uns dias de férias, não tinha tido férias no verão”.

“No dia 27 o ministro falou comigo por sms para perguntar se podíamos falar no dia seguinte”, pedido a que Domingues acedeu. A conversa acabou por não se concretizar. “No dia 28 o ministro não me telefonou e eu também não tomei a iniciativa. No dia 29 perguntou se falávamos naquele momento ou a seguir ao jantar”, ficando a conversa agendada para depois do jantar.

O ministro das Finanças terá pedido a Domingues para ficar até Macedo tomar posse e Domingues explica que respondeu a Centeno que “não estava a contar com isso. Não me falaram disso até agora mas se isso é um aspeto importante para a estabilidade da Caixa e para o Governo falem com os meus advogados e se encontrarem uma solução capaz a minha disponibilidade é total”, frisando que não podia anular “unilateralmente” a sua renúncia. “Ainda por cima o pedido de continuar foi-me só feito a mim, não foi ao conselho de administração”. Domingues ficou à espera de ser novamente contactado por Centeno.

Já no dia 30, quando foi noticiado que Domingues ia ficar à frente da Caixa mais uns dias, o antigo presidente do banco público garante ter sido surpreendido pela decisão porque não tinha voltado a ser contactado. “Não havia solução” jurídica, refere Domingues.

“Eu, à noite, confrontado com uma situação de não ter o que decidir resolvi responder a uma carta curta que o ministério me enviou, dizendo que o ministério não apresentou solução por isso e não vejo como posso materializar a minha disponibilidade que, evidentemente, se mantém”.

Já sobre a troca de mensagens Domingues mostrou-se agastado com a informação que leu nos jornais, dizendo que a forma como a história estava a ser contada não correspondia à realidade. “Segunda-feira enviei SMS ao ministro porque vi notícias que não me pareceram adequadas. Disse Tenha paciência mas o que está a ser transmitido não é o que se passou, é melhor corrigir”, afirmou.

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