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Duarte Pacheco fala em gestão “com potenciais comportamentos criminosos”

Duarte Pacheco adiantou que a votação não seria forçada caso o PS não apoiasse a proposta.

O deputado do PSD Duarte Pacheco considerou hoje que os trabalhos da comissão de inquérito à CGD demonstraram que a gestão do banco público não só não foi sã e prudente como foi “potencialmente danosa e com potenciais comportamentos criminosos”.

No comentário ao relatório preliminar da comissão de inquérito à CGD, hoje apresentado no parlamento pelo deputado do CDS-PP João Almeida, Duarte Pacheco saudou o documento e considerou que “valeu a pena” a comissão de inquérito, apesar das reticências que alguns manifestaram inicialmente, e que ao longo dos trabalhos ficou demonstrado que a gestão do banco público não foi feita de modo correto.

“O país passou a conhecer mais uma vez que, infelizmente, a gestão não foi sã e prudente, mas potencialmente danosa e com potenciais comportamentos criminosos”, disse Duarte Pacheco na comissão parlamentar de inquérito à CGD.

Para o deputado do PSD, houve falhas na gestão, no acionista e na supervisão.

“A crise não justifica tudo”, vincou.

Considerou também Duarte Pacheco que há “suspeitas fundadas” de interferência política em financiamentos como fábrica da La Seda em Sines (projeto Artland) e a José Berardo (para compra de ações do BCP), afirmando que “não existindo a racionalidade económica, existe racionalidade política”.

Ainda na sua intervenção, Duarte Pacheco criticou o facto de haver audições que não estão transcritas, considerando que isso deveria ter sido acautelado “nem que fosse por contratação externa”.

O relatório preliminar da comissão de inquérito à CGD, hoje divulgado, considera que o banco público não foi gerido de forma prudente e que o Banco de Portugal pôs em causa a utilidade da supervisão na forma como exerceu os seus poderes.

No projeto de relatório final, com 366 páginas, da autoria do deputado do CDS-PP João Almeida, é considerado que ficou evidente, pelos trabalhos da comissão, “que a CGD não foi gerida de forma sã e prudente, na concessão de vários dos créditos analisados”.

Já a supervisão do Banco de Portugal (BdP) foi feita “de forma burocrática, não procurando olhar para além dos rácios de solvabilidade e níveis adequados de liquidez, de cada banco, e não percebendo o risco sistémico de algumas operações”.

“A supervisão seguiu acriticamente as notas técnicas dos serviços do BdP, não exigindo mais informação do que aquela fornecida, demonstrando mais receio no confronto jurídico com os supervisionados do que com a possibilidade de erros ou fraudes”, lê-se no Projeto de Relatório à II comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização e Gestão do banco, que ainda deverá sofrer alterações antes de ser aprovado.

Esta comissão de inquérito arrancou em março, tendo o empresário Joe Berardo, grande devedor da CGD, e o ex-governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio sido os ‘protagonistas’.

A comissão de inquérito analisou a gestão da CGD entre 2000 e 2015, período durante o qual o banco foi liderado por António Sousa (2000-2004), Carlos Santos Ferreira (2005-2008), Faria de Oliveira (2008-2010) e José de Matos (2011-2016).

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