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Elisa Ferreira: “Malparado é um problema dos bancos e seus acionistas”

Elisa Ferreira Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Elisa Ferreira Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Administradora do BdP diz que é preciso não esquecer que problema do malparado nasceu nos bancos. E no setor dá prioridade à estabilização do Montepio

É a grande diferença entre os bancos portugueses e os bancos europeus. O peso dos ativos não produtivos nos balanços (NPL), como créditos malparados e outros não geradores de receita. Mas foram os bancos e os seus acionistas que cederam estes créditos, logo o problema é deles. Às autoridades caberá apoiá-los dentro do possível.

Esta foi a posição defendida esta tarde por Elisa Ferreira, administradora do Banco de Portugal, no âmbito da sua audição regimental na Comissão de Orçamento e Finanças. Os NPL do sistema financeiro português “são a grande razão para a quebra da rentabilidade deste”, apontou aos deputados. “Daí a importância de se acelerar a limpeza dos NPL do balanço dos bancos.”

Mas é preciso não perder de vista que o problema nasceu nos bancos e nos seus acionistas. Não nos contribuintes. “O problema é dos acionistas dos bancos, não do Estado ou do Governo. Os bancos é que emprestaram. Mas há que apoiá-los no quadro europeu”, disse a vice-governadora. “Temos trabalhado arduamente, nós, Banco de Portugal, com o Governo e o Programa Capitalizar, para criar um enquadramento mais adequado para que os processos decorram com celeridade”, acrescentou.

A responsável lembrou todavia que também neste campo os bancos sediados em Portugal têm feito algum caminho, reduzindo o total do crédito malparado, um esforço que, porém, tem passado de certa forma despercebido por culpa da evolução do crédito: apesar da redução do malparado, este continua com um peso alto em relação ao total de crédito. Porque este também tem caído.

Na sua intervenção inicial, Elisa Ferreira passou ainda de forma sintetizada pelos avanços obtidos pelos maiores bancos portugueses, como a recapitalização da CGD e do BCP ou a tomada do BPI pelo CaixaBank, tudo desenvolvimentos que reforçaram a solidez do setor, disse. Falta fechar o Novo Banco e estabilizar o Montepio Geral, lembrou.

“Não quer dizer de maneira nenhuma que banca esteja com problemas todos resolvidos mas há uma razoável estabilização. Falta terminar a venda do Novo Banco. Falta ainda estabilizar um banco que não é sistémico, embora seja prioritário, a Caixa Económica Montepio Geral”, apontou.

Sobre o setor em geral, Elisa Ferreira lembrou a melhoria gradual dos rácios não associados à evolução de créditos e ativos não produtivos, sublinhando em forma de síntese que é verdade que “nem todos os objetivos estão atingidos mas há progressos inegáveis, sobretudo na redução de incertezas e no recrudescimento da confiança na banca”.

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