crédito ao consumo

Empresas de crédito vão “minimizar impactos” do coronavírus nos clientes

António Menezes Rodrigues, presidente da ASFAC. Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens
António Menezes Rodrigues, presidente da ASFAC. Fotografia: Gerardo Santos / Global Imagens

A ASFAC diz que as suas associadas "estão a trabalhar em conjunto para encontrar as melhores soluções para responder às necessidades" de cada cliente.

A associação que representa as empresas de crédito especializado anunciou esta terça-feira que o setor vai aplicar medidas para minimizar o impacto da crise do coronavírus nos seus clientes.

“As associadas da ASFAC (Associação de Instituições de Crédito Especializado), na perspetiva de minimizar os impactos negativos da pandemia na atividade económica e, consequentemente, nos seus clientes, estão a trabalhar em conjunto para encontrar as melhores soluções para responder às necessidades específicas de cada cliente”, refere a associação em comunicado.

“Aplicaremos todas as medidas de mitigação de impactos ao nosso alcance”, garante a ASFAC, sem adiantar mais pormenores.

O crédito ao consumo bateu recordes em 2019 atingindo os 5.245 milhões de euros. Só em janeiro deste ano, os novos contratos de crédito ao consumo atingiram os 638,1 milhões de euros em janeiro, um aumento de 12,9% face ao mesmo mês do ano passado.

O Banco de Portugal anunciou, no final de janeiro passado, a implementação de limitações nos contratos de crédito pessoal. As medidas entram em vigor a partir de 1 de abril e incluem a redução de 10 para sete do prazo máximo para o pagamento deste tipo de empréstimos.

O anúncio da ASFAC surge numa altura em que a Caixa Geral de Depósitos e o Santander já anunciaram que vão permitir aos clientes a suspensão do pagamento das prestações dos seus créditos à habitação e ao consumo.

“Sabemos que temos um papel social a desempenhar e não deixaremos de contribuir para atenuar os efeitos que a prevista crise económica trará”, sublinha a associação.

No caso do crédito à habitação, o governo está a preparar legislação que vai permitir que às famílias mais afetadas suspenderem temporariamente o pagamento das prestações da casa ao banco. A medida já foi adotada por outros países, incluindo Espanha e Itália. O Banco BPI já garantiu que vai acompanhar a medida do governo.

A CGD anunciou na passada semana, que relativamente aos clientes com crédito à habitação e pessoal, o banco “avaliará a eventual carência de capital até 6 meses, mediante pedido dos clientes e em condições de simplicidade de acesso, designadamente para o crédito à habitação”.

O Banco Montepio também anunciou medidas para apoiar empresas e famílias. No caso dos particulares, o banco permite aos clientes “ter liquidez equivalente a mais um salário e/ou ao plafond atribuído em cartão de crédito”, a uma taxa de juro fixa de 5% – “valor abaixo da média praticada no crédito pessoal do setor, mesmo para os fins” saúde e educação.

O crédito é disponibilizado sem a cobrança de comissões e os clientes têm a opção de beneficiar de um período de carência durante seis meses. Quanto ao prazo de amortização escolhido pelo cliente, que pode ir até 18 meses.

Ontem, o Santander Portugal também anunciou que vai permitir aos clientes com crédito à habitação e ao consumo a possibilidade de pedirem carência de capital durante seis meses. Segundo o banco, 250 mil famílias portuguesas que têm o seu crédito à habitação junto do Santander. “Com esta medida, o banco permite que as famílias portuguesas não amortizem neste período quase mil milhões de euros de capital”, disse o Santander em comunicado.

Frisou que as renegociações dos créditos, para a suspensão do pagamento das prestações, estarão isentas de comissões de alteração das características do crédito.

A medida, disse o Santander, ficará disponível “logo que seja clarificado o enquadramento legal em Portugal de aplicabilidade das decisões anunciadas pelo Banco Central Europeu na passada sexta-feira”. O BCE deu permissão aos bancos para acomodarem em termos contabilísticos a moratória nos créditos, sem que aumentem o nível de crédito malparado e tenham de constituir mais provisões para cobrir eventuais perdas com os créditos.

Atualizada às 12H31 com mais informação

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