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Entrada da Fosun acaba com maioria portuguesa que resistia no BCP

Esmagamento das posições acionistas no banco para acomodar a entrada da Fosun vai fazer com que apenas 45% do capital continue em mãos nacionais

A entrada da Fosun no capital do BCP, por via de um aumento de capital exclusivo para o grupo chinês, vai acabar com uma das últimas maiorias portuguesas ainda existentes na banca, mesmo que, no caso do Millennium, esta maioria seja claramente silenciosa, já que nenhuma das participações qualificadas está em mãos nacionais.

No final do ano passado, 53,99% das ações do BCP eram detidas por particulares ou institucionais portugueses. São perto de 32 mil milhões de ações em mãos portuguesas; depois da entrada da Fosun passarão a equivaler a 45% do capital.

Apesar de serem milhares de posições reduzidas e individuais e, portanto, não ser uma frente portuguesa propriamente dita – não atuam de forma concertada -, esta era uma maioria que para o próprio banco era suficiente para o separar dos demais, isto numa altura em que a “estrangeirização da banca portuguesa” tem sido um dos temas mais discutidos ao longo deste ano, em especial depois da tomada do Banif pelo Santander e da OPA do CaixaBank sobre o BPI.

“A evolução recente revela a grande debilidade do capital português. O país não tem investidores com capital suficiente para ter uma presença marcante no setor”, lamentou recentemente Teixeira dos Santos, antigo ministro das Finanças. “Sempre que foi preciso dinheiro fresco, havia pouco capital”, acrescentou António de Sousa, ex-governador do Banco de Portugal.

Agora, o BCP perderá esta maioria silenciosa portuguesa à conta da entrada da Fosun, já que o grupo chinês deverá tomar no mínimo uma fatia de 16,7% da instituição através da emissão de novas ações em exclusivo, o que obriga automaticamente à diluição das restantes participações. O BCP terá de emitir 11,8 mil milhões de novos títulos – para chegar ao mínimo de 16,7% para a Fosun -, momento a partir do qual ficará com o capital dividido em quase 71 mil milhões de ações, o que reduz o peso dos acionistas que, não podendo participar neste reforço de capital, ficarão com o mesmo número de ações.

Além da queda da maioria silenciosa, a entrada da Fosun provoca também, na realidade, a diluição nas posições acionistas mais relevantes do Millennium. O grupo Sonangol detém 10,5 mil milhões de ações do banco liderado por Nuno Amado, a maior fatia do BCP detida de forma individual e equivalente a 17,84% do capital. Mas o grupo petrolífero angolano será ultrapassado pela Fosun assim que o grupo chinês entre no capital, já que o aumento de capital levará à diluição da participação da Sonangol para pouco menos de 15%.

Também os restantes acionistas qualificados do banco irão ver a sua posição cair, com o Sabadell a passar de 5,07% para 4,23% e a EDP, detida igualmente por capitais chineses, a recuar de 2,7% para 2,26%. Já o Interoceânico (2,05%) e a BlackRock (2,22%) ficarão com posições abaixo dos 2%.

O BCP deverá aprovar a entrada da Fosun na próxima reunião do conselho de administração do banco, depois de no início da semana ter confirmado que as conversações com aquele grupo já estavam em fase de conclusão.

A gestão “apreciou favoravelmente o desenvolvimento, com substanciais progressos, das negociações com a Fosun, tendo igualmente constatado a evolução favorável já registada quanto ao preenchimento das condições suspensivas a que o investimento proposto pela Fosun foi sujeito, permanecendo ainda condições por verificar, entre as quais as relativas às aprovações pelas entidades de supervisão bancária”.

Apesar de ter definido os 16,7% como patamar mínimo para entrar no BCP, a Fosun admite atingir uma fatia de até 30% do banco na proposta que apresentou aos órgãos sociais do Millennium bcp, podendo gastar até 500 milhões de euros com a operação.

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